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Blog de Ivaldo Gomes
 


 

Esse é um blog arquivo de poemas de Ivaldo Gomes

 

 

 

 

Seja bem vindo ao meu baú de sonhos. Pode remexer nele. Fique a vontade. Você vai ficar sabendo um pouco de como vejo e sinto o mundo. São confidências entre o mundo material e o metafísico. Lembre-se, são só poemas.

 

São emoções pregadas a sentimentos em papéis vários e virtuais. É minha forma de dizer, sentir, viver. 99 % deles estão inéditos em papel. Nunca foram impressos oficialmente. Os que estão aqui postados são as versões oficiais e ultimamente corrigidas. Dê preferência à versão do blog.

 

Poemas são como pedras preciosas. Cada um tem um valor sentimental. E como pedra preciosa cada um tem sua identidade e personalidade. Muitos podem parecer tão parecidos, mais olhando de perto não são normais. Risos.

 

Esse blog tem a intenção de registrar um material produzido durante as duas últimas décadas. De muito sentimento e registros. Tenho uma forma peculiar de compor meus versos. Eles são inscritos e quase nunca corrigidos. Saem de uma vez só.

 

Meu tema predileto é a paixão em todos os sentidos. Alguns poemas parecem melosos, mais os apaixonados fazem de tudo e qualquer coisa pra chamar a atenção. Ai a culpa já não é minha. É da paixão. É da musa.

 

E por falar em musa, gostaria de dizer que sem ela não poderia ter feito uma linha se quer de tudo que você vai ler ai embaixo. São mais de quatrocentos poemas. Estão em ordem alfabética.. Alguns estão datados. É para lembrar sempre um fato.

 

Se você quiser um nome para reunir esses poemas use: Poemas Apaixonados de Ivaldo Gomes.

 

Um abraço,

Ivaldo Gomes

           e-mail: ivaldogomes2@gmail.com




Escrito por Ivaldo Gomes às 19h09
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Ao norte de mim

 

 

                            Ivaldo Gomes

 

 

O mundo gira em círculos,

Cada vez mais fechados.

É como se fosse uma roda,

A moer minhas esperanças

Sem dó nem piedade.

 

E gira o mundo em mim,

E muda os fusos

E difusos eu fico,

Eu vou.

 

E olho o norte da

Minha bússola amorosa,

E o magnético aponta

O meu desapontamento.

 

E fico girando os pensamentos,

Ungüentos dos meus

Sonhos, desejos.

Lembro dos beijos,

Dados em ti.

Do universo de

Encantos do céu

Da tua boca.

 

E rouca fica a voz,

O violão e o verso.

E no verso dos dias,

Ao norte de mim.

 

E rola a vida lá fora...

E gira o desejo no peito...

 

E o meu astrolábio,

Salgado da maresia,

Molhados dos pingos

Das lágrimas

Que caem assim.

 

Ai! De mim prisioneiro.

Desse olhar que roda, ronda,

Ao norte de mim.



Escrito por Ivaldo Gomes às 10h30
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Ao seu, ao nosso, Alceu.

 

 

                                     Ivaldo Gomes  

 

 

Alceu, ao nosso, ao meu.

Descendo a ladeira do coração

De Olinda fui ver Recife.

Esbarei em ti.

Cruzamos as ruas de Caruaru,

Apressados sem saber pra onde ir.

A viola nos guia.

Essa é a nossa tua sina.

Que cante o que tiver pra

Ser cantado, contado na

Voz do povo.

Frevo, maracatu e baião.

Trovador das ladeiras.

Dos becos, dos bares.

Das beiras dos mares.

Cigano da ‘peste’,

Cantador do agreste,

Do chão se deu.

 

Alceu, ao meu, ao nosso.

Ao vosso verso no reverso

Das dores alheias,

Clareia o consolo do mote.

Aceite um aperto de mão

E boa sorte.

Vou pro norte,

Pelo caminho do sol.

Rodarei o mundo,

Misturarei tudo num

Liquidificador cultural.

Tudo que ouvi, botei pra tocar

Na casa dos outros.

Música é o nosso dialeto.

Hoje você faz parte

Desses versos.

Sucesso.

Ao seu, ao nosso, Alceu.

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 10h27
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Aos poetas

 

 

                                    Ivaldo Gomes

 

 

Os poetas possuem um salvo conduto.

A eles é possível tudo e mais um pouco.

Eles, elas, podem e devem ser o que são.

Sã? Na poesia não se precisa disso.

Precisa-se de sentimento.

Esse quanto maior for maior será.

Redundante, não para o poeta.

Pois o mesmo, o dito cujo e a cuja,

coruja da filosofia, uma fria,

mais a poesia é sem eira e nem beira.

É assim, constante e pronto.

Tal rio de água abaixo,

Que desce, desce e nunca chega ao fim.

É como navalha que apara a barba,

Na certeza de que amanhã lá está ela.

Barba novamente. Crescente.

Uma barbada tudo isso.

 

Aos poetas tudo.

Aos sem poema nada.



Escrito por Ivaldo Gomes às 10h17
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Apaixonadamente...

 

 

                            Ivaldo Gomes

 

 

O fogo da paixão que incendeia

Meu coração, que aquece

A alma e me esquenta a vida.

Se eu soubesse o tamanho

Dela com certeza entenderia,

A dor dessa saudade.

É como morrer de sede

Em frente ao poço, límpido,

Da fonte desse seu prazer.

É quando a garganta sufoca

A ausência de você.

Agarro-me na presença

Das lembranças da gente.

E comumente sinto falta,

Mas guardo, enrolo em

Lenços indianos meus suspiros.

Que atiro em meio ao incenso,

Que penso, imagino, cheirando

A você.

Mirra, almíscar selvagem.

E me lembro da musica,

Que envolve seu corpo,

Em passos lentos,

Nas pontas de pés.

A nos beijar.

E logo acordo do transe,

Em transito, quadraturas,

Da minha imaginação.

E lhe abraço em meus braços,

E lhe beijo de paixão.

Ai! de mim que só sei viver

Apaixonado por ti.



Escrito por Ivaldo Gomes às 10h15
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Apaixonadamente nós

 

 

                            Ivaldo Gomes

 

 

E eu assim apaixonadamente

Perdido e achado por você.

Em todos esses dias,

O sol nos parece mais

Incandescente, ardente.

 

E nós assim apaixonados,

Jogados um no outro,

Cotidianamente amantes

Do tempo e dos espaços.

 

Em nós brota a paixão,

Que cresce amorosamente

Há sóis em nossos corações.

 

Em seus braços,

Em nossos abraços,

Em beijos ardentes.

Quentes como esse dia.

 

Que o nosso amor

Perdure, dure,

Enquanto eterno for.

 

Pois a paixão que

Cultivamos brota do

Amor que construímos

No dia a dia da nossa paixão.

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 10h12
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Apaixonado

 

           

                        Ivaldo Gomes

 

 

Vive em outra

Estação.

Sintonia fina.

 

Desafinar é

O mesmo

Que estar no tom.

 

Tanto faz,

Tanto fez.

Apaixonado.



Escrito por Ivaldo Gomes às 10h10
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Apenas feliz

 

 

                   Ivaldo Gomes (20/03/87)

 

 

 

Do que não acontece com a gente.

Esses horários confusos, afastando.

E nós distantes e querendo,

Buscando ficar juntos.

Parecemos adolescentes

E não nos censuro.

Que bom que conseguimos

Ser adolescentes ainda.

Ser adulto é muito chato.

Tudo muito certinho,

Muito bem pensado.

Esquematizado.

A vida precisa de coisas

Provocativas, desafiadoras.

Que jogue a gente pra cima.

Eu, meus medos e minhas culpas,

Tudo junto.

Eu, meus desejos, paixões,

Devoções, tudo em mim.

A vida é assim, corre tudo

Muito rápido.

E rápido se busca viver.

Ou se acompanha o bonde,

Ou se perde, perde-se de si.

Eu quero tá junto de ti,

E ti curtir e amar.

Jogar-me no teu colo

E o consolo de ser

Apenas feliz.



Escrito por Ivaldo Gomes às 10h09
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         Aprendi com elas

 

 

                                    Ivaldo Gomes

 

 

         Tudo de bom

         Nessa vida,

         Aprendi com elas.

         As mulheres.

 

         Aprendi o sabor de

         Um prato quente

         De comida,

         Com elas.

 

         Aprendi o gosto

         De gostar de alguém,

         Com elas.

 

         Tudo de bom

         Na vida aprendi,

         Com elas.

 

         Com os homens

         Aprendi a mentir,

         Matar, roubar,

         Enganar.

 

         Foi com os homens

         Que descobri a dor,

         O rancor, a raiva,

         A dissimulação.

 

         Com elas aprendi

         Sobre carinhos,

         Cuidados, cafunés,

         Beijos e abraços.

 

         Tudo de bom que

         Aprendi na vida,

         Aprendi com elas.

 

         Que Deus as abençoe.

         Que Deus as proteja.

         E que elas cuidem

         Do mundo.

 

         Pois o mundo será

         Melhor cuidado,

         Por elas.



Escrito por Ivaldo Gomes às 10h06
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Aprendiz

 

 

                               Ivaldo Gomes 

 

 

Aprendiz de tudo

Mestre de nada.

 

Ferreiro do cotidiano

A martelar os dias.

 

Engenheiro de sonhos

Na aventura da vida.

 

Pintor de sutilezas nas

Paredes do destino.

 

Cantor de teatro

Sem palco e sem platéia.

 

Enfermeiro da infelicidade alheia,

A trocar ataduras.

 

Aprendiz de tudo

Mestre de nada.

 

Pedreiro de poucos tijolos

E muitas lágrimas nos olhos.

 

Maestro de orquestras

Sem músicos.

 

Dançarino congelado no salto,

No ar, como quem apaga a luz.

 

Trapezista no super mortal

De costas com capuz.

 

Padre de poucas confissões e

Muitas procissões.

 

Aprendiz de tudo

Mestre de nada.

 

Ator de muitos textos

E de poucos sucessos.

 

Cozinheiro de pratos variados,

Assados, quentes e frios.

 

Marinheiro de poucas viagens

E de mares imensos.

 

Instrumentista de poucos acordes,

Mais de muitas emoções.

 

Professor por compreensão,

A bem da verdade.

 

Poeta por necessidade

E nunca por vocação.

 

Aprendiz de tudo

Mestre de nada.

 

À vontade de saber,

Ver, sentir, pegar, viver.

 

Atitude curiosa

Diante da vida.

 

Aprendiz, sempre.

Aprendiz, eternamente.

 

Aprendiz e nunca mestre,

Mestre de nada.

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 10h04
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As Mulheres

 

 

                                           Ivaldo Gomes (08/03/1986)

 

 

 

Mulher... Que significado possui?

 

'Bom, mulher é como alça de caixão, quando um larga outro pega'.

-  Não, mulher não é esse conceito machista.

 

'Mulher é diferente do homem. Faltam coisas... Os homens têm e elas não têm'.

-  Anatômico demais. Não é isso.

 

'Mulher é aquela que cuida da casa, toma conta dos filhos, prepara comida, lava, passa, etc'.

- Muito doméstico não é por ai.

 

'Mulher é aquela coisa boa, de dar prazer, de levar pra cama'.

- Também não. Muito consumista pro meu gosto.

 

'Mulher é a musa inspiradora de tudo. Não esqueça que tudo é feito em seu nome e em sua homenagem'.

-  Saudosista demais.

 

'Mulher é aquela pessoa explorada, oprimida, desrespeitada, que não tem muitos direitos e que os homens acham que estão sempre disponíveis para abrir as pernas para eles'.

- Feminista demais, também não é por ai.

 

Mais o que vem a ser mesmo este indivíduo que tem formas

Próprias e que habita esse mundo junto com a gente,

Os homens?

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 10h02
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Será que é possível perceber a mulher sem perceber também

O homem junto?

Interagindo em todo esse processo social que existe?

 

Será que nós os homens estamos suficientemente esclarecidos,

Do que sejamos nós, homens e mulheres?

 

Será que se resolverá as questões da mulher simplesmente

Com a organização delas?

 

Será que transformarão o mundo sozinhas?

 

Será que a questão não passa necessariamente por

Um aprofundamento das relações de poder, de produção,

Reprodução, entre homens e mulheres?

 

A divisão dos direitos, do trabalho, da educação dos filhos,

Do respeito à liberdade de cada um, do querer e da forma

Do querer, já não seria um início, a ponta do novelo?

 

É inegável que as mulheres estão bem mais organizadas.

 

Discutindo as coisas, aprofundando questões que nós nem pensamos ou até nos recusamos a discutir?

 

Talvez seja porque temos a ilusão de quê quem manda,

Quem tem o poder não precisa discutir essas futilidades.

 

Será que estamos felizes desse jeito?

 

Será que estamos fazendo outras pessoas felizes?

 

As mulheres? Os filhos?

 

Será que não é hora de começarmos a mergulhar fundo no

Nosso egoísmo, no nosso machismo?

 

Porque machista e egoísta não são só os homens.

E nem todos os homens e mulheres.



Escrito por Ivaldo Gomes às 10h01
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Só conseguiremos definir, se é que temos que definir alguma coisa,

Se aprofundar-mos o significado do homem e da mulher juntos,

Numa proposta de sociedade nova, que terá que ser

Construída por ambos. Ombro a ombro, todo dia, toda hora.

 

Não nos deixemos enganar por esse jogo de concorrência,

De competição, tão bem divulgado pela mídia

Desse capitalismo selvagem.

 

Não somos produtos para ser vendido, rotulado e tabelado

Como num grande supermercado da vida.

 

Nem objetos que se dispõe a serem usados e jogados

Fora quando a moda passar.

 

Somos gente. E temos a capacidade de amar, de solidarizar-se.

De compartilhar o caminho, o afeto e a alegria que é

Transformar as coisas e dignificar as pessoas.

 

Precisamos de gente que contribua na criação do novo,

E o novo não é a moda passageira.

 

É a forma de se viver junto e deixar viver,

E criar as condições para que todos tenham

Os direitos iguais.

 

A democracia não é um sofisma. Não é ser igual, pensar igual,

Agir igual. è ter direitos iguais. Mas também é justamente a garantia de se ter à garantia

De ser diferente, de pensar diferente.

 

Garantia de ter garantido o direito ao seu querer e a

Sua forma de pensar e agir.

 

Muitos podem até pensar que assim vai virar a maior bagunça.

Que todos vão fazer o que lhe der na telha.

 

Também não é isso.

 

A nova estrutura social se construirá na vontade da maioria,



Escrito por Ivaldo Gomes às 10h01
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E será garantido o direito de se ser minoria também.

 

A discussão do que seja ou pra que serve os homens e as

Mulheres é uma questão bem mais ampla.

 

Precisamos de todos os homens e de todos às mulheres que

Acreditem ser possível vivênciar uma nova forma de se viver.

 

É só existe um caminho: a construção conjunta do caminho

Andando juntos, homens e mulheres.

 

Mulher e homem são mais do que tudo que já foi dito,

Desde a idade da razão.

 

Nós, homens e mulheres somos o segredo da vida.

E é das nossas relações que brota o novo e o sentido de tudo.

 

Estamos indubitavelmente ligados nesse caminho.

Dialéticamente juntos.

 

Vamos juntos descobrir o que é descobrir um mundo novo.

Uma nova realidade. Uma nova ordem.

 

Só ai colocaremos o homem e a mulher no local em que

Eles realmente merecem estar.

 

Homem e mulher é o que somos.

 

Humanos.

 

__________________________________________________

Dia de homem e mulher é todo dia. O tempo todo.

Tudo agora neste instante.



Escrito por Ivaldo Gomes às 10h00
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Assim...  Aasim...

 

 

                                   Ivaldo Gomes

 

 

E fica em mim os desejos,

Os beijos insaciados de ti.

Que por mais que eu fique

Contigo nunca me sacia,

Satisfeito não fico.

 

Que beijos posso te dar,

Se a mim nunca me

Foi dado o direito de

Ver-te. De sentir-te,

Enfim.

 

Eu que fique a remoer

Os desejos, os beijos,

Que ganhei virtualmente.

Como semente que brota

E cresce sem fim.

 

Ai! de mim se pudesse,

Se o meu desejo desse,

Então num salto no escuro,

Tal muro caísse em

Teus braços.

 

E quando em mim fica,

A saudade que abafa

O peito e enche a alma

De esperanças de

Esperar por ti.

 

E que num belo dia

Irá surgir no portal

Da casa...

 

Com o sorriso aberto,

Sincero em si.

 

E fico a pensar

Nesse dia,

Como o preso

Pensa na liberdade

Ansiada.

 

E se pudesse,

Poderia enfim.

Esperar.

Esperando.

Até quando?



Escrito por Ivaldo Gomes às 09h42
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Assim é fácil

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

Se tudo é apenas

Uma maneira de ver.

Talvez eu esteja errado.

 

É que daqui desse lado.

Dessa realidade de muitos,

Muitos concordarão.

 

Não preciso da publicidade

Paga a custo dos nossos impostos.

Já basta o imposto.

 

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 09h34
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Azul anil

 

        

                 Ivaldo Gomes

 

 

Loira de olhar

Agateado,

Azul anil,

A mil,

Pulsando no

Meu coração.

 

Esse olhar,

Azul profundo,

Cala fundo,

Dispara o meu

Coração.

 

Esse olhar,

Valente, quente,

Urgente, mexe

Comigo.

 

E eu fico, olho,

Não olho, deixo,

Não deixo,

Pretexto para

Ficar perto.

 

Tudo incerto,

Está certo.

Esse olhar assim,

Olha pra mim.

Me vê enfim.



Escrito por Ivaldo Gomes às 09h31
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Bailei na curva

 

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

Quando meus olhos

Encontra-se com

Os teus,

Meu coração

Acelera.

Sinto-me o próprio

Airton Senna,

Deslizando em suas

Curvas.

Perdidos em seus

Abraços.

Adormecidos

Em ti.

A linha de chegada

É a melhor partida.

Acelero a emoção.



Escrito por Ivaldo Gomes às 09h27
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Balula

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

 

Negritude a flor da pele

Irreverência em pessoa.

Suas calças coloridas

A vida a cores e

Ao vivo.

Tudo aqui e agora.

Tinha pressa...

Sabia do dia de amanhã.

Sabia das coisas.

Um sabiá.

 

As ruas do centro histórico

Dessa velha Parahyba de guerra,

Ficou sem os seus passos.

Nos espaços, esparsos,

Para cima e para baixo.

Encontramos-nos,

Achamos-nos.

 

E cadê Balula?

Vem já...



Escrito por Ivaldo Gomes às 09h26
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Banqueiro

 

                  

Ivaldo Gomes

 

 

Só ganha,

Nada perde.

Cobra muito,

Pouco dá.

Tudo pago,

Re-pago,

Cobra juros.

Dá dividendos

Nove pra ele,

Um pra você.

 

Banqueiro

Só vê dinheiro.

De vintém,

Em vintém.

Tudo é dele

O dinheiro

É ele.

Mesmo sendo

Seu no banco.

 

Tem sempre

Que ser assim?



Escrito por Ivaldo Gomes às 09h12
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Barquinho de papel

 

 

                            Ivaldo Gomes

 

 

Meu coração

Navega nas

Águas calmas

Do teu regaço.

 

Tal qual,

Barquinho de

Papel.

 

Vai longe,

Vai calmo,

Vai ao léu.



Escrito por Ivaldo Gomes às 09h10
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Barriga cheia

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

Até gato de barriga cheia

Dá tapa em carne.

Imagine o homem.

 

Coisa nenhuma.

Uma ruma de coisas,

De casos por acaso,

Que se tenha.

 

Porra nenhuma!

Ai! Minha unha.

Papo furado.



Escrito por Ivaldo Gomes às 09h09
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Bêbado e equilibrista

 

 

                            Ivaldo Gomes

 

 

Todos nós,

Tomamos algumas.

E de ‘algumas em algumas’,

Vamo-nos afundando.

Parece mais um

Barril de rum.

Afogado...

 

De pólvora,

Prestes a estourar.

E beber cada vez mais.

Deve ser bom

Para os fabricantes.

Brincantes da dor alheia.

 

Alheio do presente.

Presente? Pressente o fracasso,

Fraco, alquebrado,

Dos dias bêbados.

Como um gambá.

 

Guaraná? Enferruja!!!

Dá diabetes.

Água só se for ardente,

Quente, indolente,

Semente de ser e será.

Será?

 

Tenho dúvidas.

Mas o que seria do homem

Sem dúvidas?

O álcool é sempre uma saída,

Ao fundo, à francesa.

Cadê ela?

Passarela?

Para onde?

Pro bar?

 

De novo, todo dia.

A mesma cerveja,

A mesma pinga.

Pinga em mim!!!

Bêbado!!!

 

Em paz com seu alcoolismo.

Bêbado anônimo?

Nunca!!!

Pelo menos conhecido.

 

Todos nós temos

Um pouco de bêbado.

Bebemos tudo o tempo todo.

Todo? Tudo?

Nem sempre.

 

Garçom?

Mais uma.

A saideira...

A derradeira...

A última...

Que tal a penúltima...

Do dia, da noite,

Da madrugada.

 

Manda a empregada comprar

A bebida!

A vida engarrafada.

Felicidades em garrafas.

Em tragos, homeopáticos.

Isso não tem fim?

 

A fabricação é sempre

Maior que o consumo.

Não vamos ganhar da fábrica.

Que me importa isso

Se estou embriagado

E você?

 

Garçom mais uma!

É a saideira?...

 

Com certeza a última.

Ainda bem.

Bêbado!

Mais feliz.

 

Por um triz,

Mais feliz.



Escrito por Ivaldo Gomes às 09h07
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Beija eu

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

Beija eu assim,

De boca em boca.

Como se diz no marketing:

Fale de mim.

Fale como se fosse o último.

Mais fale de mim.

 

Diga tudo,

Que gostes ou desgostes.

Mais diga enfim.

Diga sim. Diga não.

Não importa

A razão.

 

Mais a questão é

Que fale de mim.

Mesmo assim,

E em tempo.

 

De tempos

Em tempos,

Eu vou e volto,

Re-volto, digo sim,

Insisto, persisto,

Fale de mim.

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 08h42
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Beija eu

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

Beija eu assim,

De boca em boca.

Como se diz no marketing:

Fale de mim.

Fale como se fosse o último.

Mais fale de mim.

 

Diga tudo,

Que gostes ou desgostes.

Mais diga enfim.

Diga sim. Diga não.

Não importa

A razão.

 

Mais a questão é

Que fale de mim.

Mesmo assim,

E em tempo.

 

De tempos

Em tempos,

Eu vou e volto,

Re-volto, digo sim,

Insisto, persisto,

Fale de mim.

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 08h32
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Beija-flor

 

 

               Ivaldo Gomes (19/07/90)

 

 

Pra Cazuza

 

 

Beija, beija a flor.

Beija o mel, o fel dessa dor.

Beija a cor púrpura violácea da flor.

Beija, beija beija-flor.

Beijo o que vejo e sinto.

Lúcido, translúcido beija-flor.

Beijo, do beijo roubado,

Marcado da boca em flor.

Beijo o desejo, de voar, bater asas,

Abertas em torno da flor.

Beijo o teu beijo, de mel, de flor.

Flor do beijo de beija-flor.

Flor de cactos, lótus, torpor.

Flor de sangue vermelho horror.

Flor de branco, noiva, amor.

Beijas e beijos de beija-flor.

Beijo que beijas o meu amor.

 

Fique com Deus.



Escrito por Ivaldo Gomes às 08h28
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Beijo roubado

 

 

                      Ivaldo Gomes

 

 

Cheguei perto demais...

Perdidamente encantado

Com seus lábios

Doces como mel.

 

Joguei-me no meio deles,

Vi-me abandonado

Em seus braços.

 

No beijo roubado,

Que lhe dei.

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 08h21
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Beijos

 

 

                   Ivaldo Gomes

 

 

Ah! O amor.

Esse sonho gostoso

De se viver a paixão.

Quem diria meu amor.

Quem diria.

 

Eu aqui completamente

Apaixonado e você ai,

Olhando o filme na TV.

 

Vem cá, desliga.

Se liga na minha

Programação.

 

Quem diria,

O amor...



Escrito por Ivaldo Gomes às 08h19
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Beleza de Mulher

 

 

                            Ivaldo Gomes

 

 

 

Pernas de fêmea,

Saia rodada.

Boca de batom,

Cheiro inebriante.

Perfume atrás das orelhas.

Busto arredondado.

Umbigo de fora,

Cintura de sedução.

Caminho dos desejos.

Beijo na boca,

Pelos arrepiados.

Respiração ofegante,

Coração disparado.

Unhas pintadas,

Pés descalços,

Um tesão.



Escrito por Ivaldo Gomes às 08h18
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Bem pertinho

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

 

Fique aqui bem pertinho.

Assim juntinho.

Coladinho em mim.

 

Fique aqui quentinho.

Juntinho de ti.

Assim encostadinho.

 

Bem juntinho,

Pertinho,    

De nós.

 

Os lençóis?

Sim os lençóis.



Escrito por Ivaldo Gomes às 08h17
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Bem vindo palestinos

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

Nós também

Temos nossa palestina.

Passamos quinhentos

Anos atados.

De colonizador

Em colonizador.

 

Só a dor

Ficou sem cura.

Pois uma nação,

Não se faz

Apenas com terra

E gente.

Faz-se com justiça

Social.

 

Sejam bem

Vindos ao Brasil.

A palestina de muitos.

Mas ainda uma

Nação de poucos.

Sejam bem vindos,

A palestina

Dos brasileiros.



Escrito por Ivaldo Gomes às 08h15
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Bem-Aventurados os Versos

 

 

 

                                                           Ivaldo Gomes

 

 

Bem-aventurados os versos que

Vercejam nos campos da inconsciência.

Que se fazem conscientes, presentes,

A se mostrar pra mim.

 

Bem-aventurados os versos que

Passeiam em tua fronte,

Fonte de inspiração e versos.

Reverso do meu não pensar.

 

Bem-aventurados os versos que

Virgílio, Camões, Pessoa nos deixaram

Como herança, como poupança

Dos sonhos seus.

 

Bem-aventurados os versos

Que por mais que se escondam,

Afloram a mais leve vontade de cantar,

Do sorriso maroto do vento na beira mar.

 

Bem-aventurados os versos que

Apesar de apenas versos,

Falam do amor por este lugar.

 

Bem-aventurados os versos que

Cantam dentro de mim, sem esforço,

Sem dor e sem rancor.

 

Bem-aventurados os versos que

Não me deixam mentir, sucumbir, sumir,

Fugir de mim.

 

Bem-aventurados os versos que

Ocupa os espaços, quando muitas

Vezes acho que não mais existem.

 

Bem-aventurados os versos que

Diz como é bela a vida, vivida,

Morrida no fim.



Escrito por Ivaldo Gomes às 08h14
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Bem-te-vi

 

Ivaldo Gomes

 

 

Acordei assim,

Numa manhã

Iluminada.

O cheiro doce

Das flores da

Mangueira

O cantar dos

Pássaros e

O barulho da

Rua.

E tudo flui

E reflui.

E tudo fica

Bem.

Bem-te-vi...

Bem-te-vi...



Escrito por Ivaldo Gomes às 08h07
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Bloco de Notas

 

                       

                        Ivaldo Gomes

 

 

Era branco papel,

O lápis azul,

Os rabiscos,

As letras.

 

Foram caindo,

Assim, umas

Após outras.

 

Daí o bloco

De anotações.

Ficou abarrotados

De notas.

 

Fui ver,

Eram poemas.



Escrito por Ivaldo Gomes às 08h06
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Boca a Boca

 

 

                   Ivaldo Gomes

 

 

A minha,

A sua.

Disse e

Me disse.

Leva e Traz.

 

É o bicho!

É o marketing!



Escrito por Ivaldo Gomes às 08h03
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Boca do Lixo

 

 

                            Ivaldo Gomes (19/07/90)

 

 

Na boca os dentes,

Na língua o sabor do dia.

Hortelã? Guarda-chuva?

Nem sim, nem não.

Olho o guarda vejo a repressão.

Impressão? É não...

É só medo.

Medo de menino, trazido das

Histórias contadas.

Cotidiano, rua, pessoas, gritos.

Boca do lixo, lixo de todos,

Jogados no lixo, na cara

Da gente.

Olhos lácios, lacrimejantes,

Andantes dessa angústia coletiva.

Meio de vida? Pra quê?

Se não dá pra nada.

Palhaçada... Traição.

A esperança sobrevive.

Apesar de tudo e

De todos.



Escrito por Ivaldo Gomes às 08h02
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Bolero

 

 

                       Ivaldo Gomes

 

 

Você em minhas

Mãos...

Seu corpo no

Meu...

 

Em suas mãos,

De mãos dadas,

Passeando.

 

Dois pra lá...

Dois pra cá...

 

Bolero...



Escrito por Ivaldo Gomes às 08h00
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                            Bom Dia!

 

 

 

                                                           Ivaldo Gomes (28/09/87)

                                                                                                   

 

 

                            No bilhete em cima da cama:

 

Bom dia pra você que acordou agora.

Se você procurar direito verá que

Estou em todos os ambientes...

O meu cheiro se espalha pelas

Paredes e no espelho do banheiro

Eu me escondo nos vidros de perfume.

Bom dia pra você que tem

Causado tanta felicidade.

Se você perceber direito verá que

O brilho dos meus olhos,

Acesos de te ver, já marejam de saudades.

Gosto da tua corporeidade.

Dos teus beijos e dos teus carinhos.

Bom dia pra você que gosta de mim.

Se você olhar direito eu fui ali e volto já.

 

Te amo



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h59
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Bom dia

 

 

                       Ivaldo Gomes

 

 

Bom dia

Macaca Sofia!

Que você tenha

Um lindo dia.

 

Beijos

Em Filó Sofia.

Bom dia!



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h54
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Botando pra fora

 

 

                                   Ivaldo Gomes (23/02/87)

 

 

Coisas jogadas, vomitadas pra fora,

Depois de algumas doses de álcool

E de abandono.

Nem sempre consigo deixar

De ser irônico quando me

Ferem, me machucam.

Precisava te dizer tudo aquilo.

Não sei foi a melhor forma e se a

Oportunidade foi aquela.

Mais foi, saiu assim.

Não quis te magoar, mais quis

Te dizer algumas coisas que

Sei e acho de ti.

Pois fiques sabendo que você

Não é o centro do universo.

E eu não estou mais afim

De te paparicar e reforçar

Uma porção de coisas, de

Comportamentos, que não te

Ajuda a crescer como pessoa.

Sai desse mundinho ilusório,

Que estais criando pra ti.

As coisas falsas não ajudam

A viver.

E nem fica bem em ti.

Portanto, e tanto assim, por

Gostar de ti, vou ficando

Por aqui.



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h52
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Brevíssima Biografia do Autor

.

Ivaldo Gomes nasceu em Jurema – Pernambuco – Brasil, no dia 28/07/1956. Vive desde 1976 em João Pessoa. É pai de Pedro e João com Lenita Faissal e Mateus, Tiago e Felipe com Ana Maria. Com quem é casado e vive feliz. É professor graduado em Educação Física (1979 - UNIPÊ), Especialização em Educação Popular (1981 - UFPB) e créditos pagos do Mestrado em Educação Popular/UFPB (1984). 

 

E-mail para contato: ivaldogomes@jpa.neoline.com.br



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h49
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Brinquedos da gente

 

 

                               Ivaldo Gomes

 

 

 

Os aviões espalhados pela casa.

Os bonecos que teimam em crescer.

Os lápis dizendo: me escreva.

Os carros correndo no corredor.

A bola que bate e rebate.

Enche a casa de ti,

Minha flor.

E eu arrumo e dessarumo

Os brinquedos.

E vejo que eles lhe

Viram.

E silenciosamente pergunto,

Como ela é?

E tento perceber o cheiro,

Quem sabe impregnado

De ti.

Quem sabe no lapso de

Tempo. Uma impressão,

Um perfume,

Descuidadamente

Capturado por mim.

E fico a imaginar,

Através dos brinquedos,

Entre sorrisos e alegrias,

Como tudo isso

Faz-me feliz.



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h43
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Bruxinha

 

                   Ivaldo Gomes (09/05/87)

 

 

Bruxa de pano

De olhar sisudo.

Laço de fita

Que não fita,

Imóvel no mundo.

Saia de pregas,

Chita, aflita,

Rude e singela.

 

Bruxa de carne,

De olhar dengoso,

Dos cabelos de cheiro,

De pele macia

Qual puro linho.

 

Bruxa feiticeira,

Que enfeitiça a

Minha cabeça e

Brinca comigo.

Atrai, se retrai,

E me deixa com

Saudades.

 

Bruxinha das mãos

Macias,

Do abraço apertado,

Do colo

Gostoso de pousar

A cabeça.

De repousar

Os sonhos, as vontades.

 

Bruxinha manhosa.

Indecisa, descansada

Na rede da vida,

A balançar,

A me balançar.

 

Bruxinha bonita,

Aflita, sem fitas

Nos cabelos,

Nos pelos,

No peito

Essa canção.

 

Bruxinha, bruxa,

Feiticeira, faceira,

Dengosa, gostosa,

Um tesão.

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h41
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Buraco Negro

 

 

                        Ivaldo Gomes

 

 

Perdido em ti.

Dentro de ti.

Procurando-te

Achando-te...

Aprofundando em ti...

Perdidamente em ti.

Sem saber onde sem ti.

Em ti incluído,

Por ti escolhido.

Pensando em ti.

Inexoravelmente

Em ti.



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h37
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Caixa de Correio

 

 

                            Ivaldo Gomes

 

 

Notícias boas...

Notícias ruins...

Por falta de uma passarela,

Perdi o pai de um amigo meu.

É a ausência do governo,

Nos matando atropelado.

É como se perder um pouco

Diariamente.

 

Notícias boas...

Notícias ruins...

Por presença de muitos.

Muitos hão de querer,

Um dia pensar decente.

Respeitar a integridade.

É como se achar em si

Cotidianamente.

 

 

P.S: Esse poema é para o meu amigo Nairon Barreto, nessa hora de dor e angustia. Ele teve seu pai violentamente atropelado e morto na Avenida Epitácio Pessoa em João Pessoa.  A Prefeitura e o Governo do Estado vão esperar morrerem quantos mais para tomar alguma providência? Faz exatamente dez anos que cobramos uma atitude. Quantos morreram em dez anos atropelados naquela avenida? Ontem foi o pai de Nairon. Quem será o próximo? Por favor, peguem um pouco do nosso imposto que vocês arrecadam e façam algumas passarelas na Epitácio Pessoa. O que custa isso? Se as passarelas existissem, muitos dos que foram violentamente atropelados naquela avenida talvez hoje estivessem vivos. A culpa é da inoperância e da falta de atitudes por parte da edilidade pública. Vamos cobrar publicamente cada morte acontecida ali. Até que um dia o bom senso paire sobre a cabeça desses administradores que querem os cargos mais não querem o encargo do cargo.



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h36
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Caixinha de absorventes

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

Tão quente

E escorregadio.

Vermelho vinho.

De odor forte.

Ocre menstruação.

Que impressão.

TPM dos meus dias.

Com abas ou sem.

Basta um pacote.

E tudo fica normal.

Nem sempre

As regras,

São tão legais.

Veja o caso do OB.

Ocupa espaço,

Mas não resolve.

Vermelho rubro,

Cólica,

Constipação.

Que situação!

 

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h34
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Caixinha de cristal

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

No pedestal,

A caixinha de

Cristal reflete.

Mais não pensa.

É só reflexo,

Num teorema

De cores.

Há cores.

Dolores,

Você me traiu.

Disse que era

Lilás, tão fugaz,

Quanto os raios de sol.

E não era nada disso.

Caixinha de cristal,

Tão mortal,

Perdi o dia.

Dolores,

Você é imoral.

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h33
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Caixinha de doido

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

E eu procurando

Uma vaga no pinel.

Na Juliano Moreira,

Já servia.

Coisa de doido.

De doido e doido

Todo mundo tem

Um pouco.

Um pouco de mim,

Em cada um doido.

E um de mim

Em cada

Nós de doido.

A sós?

Nem pensar.

Vou pular o muro,

Que separa,

Você de mim.

Por favor,

Peça pra alguém,

Armar a rede.

Aquela do trapezista.

Do outro lado da

Vida.

Louco?

Nem um pouco,

Só saltador

De muros,

Alheios

E afins.



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h32
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Caixinha de fósforo

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

Um a um vão

Perdendo a cabeça.

Cabeça quente,

Esquenta o tempo,

O lugar explode.

Perde a cabeça.

Acende, clareia.

Faz fogueira,

Fogo e vaidade.

Acende e apaga.

Num simples sopro.

Caixinha de fósforo,

Ajuda demais.



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h31
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Caixinha de música

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

A bailarina

Dança em cima

Da caixinha,

De música.

Ouve-se a música,

Ritmada,

Na dança.

Ela na ponta dos pés,

De um lado pra outro.

Literalmente dança.

Na caixinha de

Música.



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h30
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Caixinha de nós

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

Guardo arrumadamente

As minhas caixinhas.

Nelas estão todos

Os meus pertences.

Aquele que não me pertence

Eu guardo mais arrumado.

A gente arruma

As nossas caixinhas.

Assim todas elas,

Bem arrumadinhas.

As minhas,

Estão todas aqui,

Nessas caixinhas

Do computador.

Da minha dor,

Eu sei os motivos.

Das minhas caixinhas,

Eu sou o objeto

Guardado, jogado,

Dentro delas.

 

- Caixinha!

- Obrigado!



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h29
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Caixinha de pó

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

De pó em pó,

Eis que voltarei

A ele.

De pó de arroz,

Fica o rosto

Branco.

E eu olho

O pó

Do asfalto,

Do assalto,

Aos olhos.

'Embotados de

Cimento e

Lágrimas'.

E eu aqui,

Procurando o pó

Da obviedade.

Até quando?



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h28
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Caixinha de sapato

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

Guardo os meus pés

Postiços nelas.

Apenas algumas.

Pois só tenho

Dois pés,

Para que tantos

Sapatos?

Olho absorto

O dedão do pé.

Penso como

Gosto de ficar

Descalço.

Calço e não

Laço os pés.

Deixo-os pendurados,

No passo a passo

Dos meus dias.

Passo e não passo.

Guardo os sapatos.

Nas caixas como

Se fossem sonhos.

Sonhos de caminhar.

De voltar ao lugar,

De onde nunca

Deveria ter saído.



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h27
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Caixinha de surpresa

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

Eu abri a caixa,

O palhaço de mola

Pulou no meu rosto.

Foi um susto.

Ao custo de sorrisos,

Surpreso, deixei-me

Invadir pela

Surpresa.

Que pressa é essa

Que sai e pula?

É uma caixinha de

Surpresa.



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h25
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Caixinha de tabaco

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

Guardo dobrados,

Os pacotinhos de

Papel Colomy.

De dentes amarelos

E sorrisos desbotados.

Fico a pensar na

Frase que diz:

‘Cigarro é uma

Brasa numa ponta

E um idiota na outra’.

Fico fulo de raiva.

Com os pulmões

Tingidos de alcatrão.

Mas guardo na

Caixinha o tabaco,

Do fundo da

Emoção.

 

Esses poemas intitulados ‘Caixinhas’ têm a intenção de desarrumar as caixinhas da gente.

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h25
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Calado

 

                Ivaldo Gomes

 

 

Querem calado.

Mudo. Acrítico de tudo.

Querem fora.

Longe de tudo e de todos.

Querem manso.

Obediente.

Servo.

 

Querem cego. Sem ver.

Sem haver. Sem achar.

Querem míope.

Querem que concorde.

Nunca discorde.

Não veja. Não ache.

Não sinta.

 

Querem com fome.

Perseguem. Culpam.

Como se fosse o responsável.

Pêlos desmandos desses dias.

Tudo grita por justiça.

Nesses dias injustos a todos nós.

 

Ignoram. Usam o que falo.

Distorcem o que digo.

Nunca aceitam os argumentos.

As críticas muito menos.

E eu tentando ajudar.

Esforçado para ver.

Para dizer.

Pra mudar.

 

Querem que fiquemos

Calados.



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h21
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Cálculos

 

                   Ivaldo Gomes

 

 

Acrescente a soma,

Multiplique os resultados,

Diminua os erros,

Divida os acertos.

 

A soma multiplique

Pelos resultados.

Dividido em acertos,

Diminua os erros

De novo.

 

Quem sabe o saldo

Seja positivo.

São só cálculos.

Apenas.



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h17
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Camarim

 

 

                   Ivaldo Gomes

 

 

 

Então ficamos assim.

Eu sem você,

Você sem mim.

 

Vai ficar triste,

Silencioso,

Quieto, enfim.

 

Mas se der vontade,

Liga, avisa,

Pra mim.

 

Me chama,

Acende a luz

Do camarim.



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h16
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Candidatos

 

                Ivaldo Gomes

 

 

Candidatos

São propostas,

Algumas tortas,

Outras pastelão.

 

Mais eles são

Candidatos

A chefes

Dos nossos

Destinos.

 

Tome tino! - Atenção!.

Pare! - Esbarre!

Olhe! - Espie!

Escute! - Ouça!

 

Tenha cuidado com

O trem da eleição.



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h15
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Canoa Quebrada

 

 

                   Ivaldo Gomes (09/08/90)

 

 

 

Canoa que te quero inteira,

Quebrada no nome,

Na noção do tempo.

Embalastes-nos nas tuas dunas,

No teu sol, no teu mar.

Acolhestes-nos com teus nativos,

Passivos no vai e vem

Do teu caminhar.

O vento soprando sempre,

A poeira inundando as casas,

Mais nada suja nada incomoda.

Fostes tão boas conosco,

Que guardamos nos nossos

Sonhos as imagens do teu

Deslumbrar.

Nasceres de sóis e poentes.

Céu de luas e milhões

De estrelas.

Dunas, dunas, a subir e descer.

Na alegria ter-te aos pés.

Canoa das magias e

Dos sonhos.

 

                            Um dia voltamos pra lá.

Escrito por Ivaldo Gomes às 07h10
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Cansei do cansei

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

Cansei do cansei.

Cansei dessa palhaçada.

Todos sem razão.

Querendo aparecer.

 

Cansei do cansei.

Todos enganando.

Achando que a gente

É imbecil.

 

Cansei do cansei.

Pois estamos

Cansados de palhaçadas,

De ‘enrolação’.

 

Cansei do cansei.

Pois todos,

Absolutamente todos,

Contribuíram pra isso que está ai.

 

Cansei do cansei.

Pois não vamos

A lugar nenhum

Com esse tipo de gente.

 

Cansei do cansei.

Pois estamos de saco cheio

De sermos enganados.

Por todos vocês.



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h05
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Cantando na rua

 

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

Não sei se sei...

Mais o que sei é o quê sinto...

E pego-me cantando na rua...

Com sentimento feliz...

Saudades? Eu sei...

 

Mais assim sendo...

Feliz por bons motivos...

É porque o quê causa-me

Felicidade é bom....

 

E como os fins nem sempre,

Justificam os meios.

Nesse nosso caso,

São suficientes para

Entender que os meios,

Justificam os nossos fins.

 

O importante é que

Estou feliz nesses dias.

E se eles serão muitos ou poucos,

Pouco importa nesse momento.

Pois o momento seguinte,

Será o seguinte...

 

E não cabe a mim,

Achar que eles serão,

Assim ou assado.

Cabe-nos vivê-los

Do jeito que eles são. 

E pronto.

 

A gente tem mania

De querer controlar

As coisas, as situações.

Que tal deixar sem

Controle algum?

Pra ver como é que fica?

 

Só sei que me pego cantando...

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 07h03
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                       Cantiga por minha terra adotiva

 

 

     

   Ivaldo Gomes

 

 

Descobri-te num verão.

O sol queimou-me à pele,

Aqueceu meu coração,

Por ti Felipéia.

 

Por ti, apesar de ti,

Meus olhos olhavam para o norte.

Apaixonado estava e não sabia.

Tua magia tinha me encontrado.

Mares do Bessa,

Casas de veraneio.

Passou o verão e fui.

 

Cristalizei-me no agreste,

Dos arrecifes ao oeste,

Voltei pra Caruaru.

Corria os idos do general Geisel,

E eu morto de medo,

Como os jovens da minha geração.

 

Contemplação do tempo,

E em minhas ausências,

Minha saudade,

Levava-me a ti.

Nunca mais fui o mesmo.

Sonhava contigo.

 

Armei uma fuga e corri pra

Serra da Borborema.

Fui tentar a sorte ou o azar,

Num vestibular que terminaria



Escrito por Ivaldo Gomes às 06h58
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Trazendo-me de volta a ti.

E voltei um ano e meio depois

A encontrar-te.

 

Desci de carona,

No Posto Nordeste,

Ao leste de ti.

Te espreitei de malas e sonhos,

Mas aqui cheguei.

A felicidade era tanta,

Que não percebia a dureza

Da vida de quem chega.

 

Andarilho dos dias,

A buscar a vida na cidade grande.

E tu já eras enorme para

Os meus sonhos...

 

Cavalguei-te nos calcanhares,

E não me cansei de subir e descer

As tuas ruas. Ladeiras.

Quanto mais olhava, mas bem te queria.

Quanto mais te descobria,

Mas apaixonado eu ficava.

 

Olhei tuas igrejas,

Teus casarios do passado.

Descobri-te velha, moça e criança.

Arrudiei tua lagoa, me temporizei nas

Palmeiras e apressei os passos

Em direção ao mar.

 

E fui devagarinho, com carinho,

Levantando imagem por imagem,

Tal qual o farol do Cabo Branco

Apontando-me o oriente,

Poente do teu querer.

 

Deste-me a bússola, as areias,

A cama, o lençol, o sonho.



Escrito por Ivaldo Gomes às 06h56
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Guardei-me num sobrado,

Da República Popular da General Osório.

 

Da janela do casarão do poeta,

Ia percebendo o teu pulsar.

O teu povo na rua,

A subir e a descer, por tuas curvas,

Teus segredos, teus amores.

 

Acordei numa manhã ensolarada,

Com o barulho dos ferros a ranger

No calçamento secular.

Era a festa de N. S. das Neves

Que se vestia.

 

E eu apaixonado por festas de rua,

Fui vendo ser erguido em tuas artérias,

Nuas, os brinquedos e as barraquinhas

A tua devoção.

 

Luzes iluminavam a rua,

E ela cheia de luz, iluminava teu povo,

A passear no sonho da tua festa.

Era Nossa Senhora das Neves,

A abençoar-te.

 

Descobri-te Frederica e

Danei-me pro mar.

Molhei-me do teu sal,

Bronzeei no teu sol,

Apaixonei-me por tuas meninas.

Tudo era só alegria, pois o que via

Alegrava-me os olhos, o peito, a alma.

E eu de olhos miúdos, mudos,

Molhados de te ver.

 

Descia a Epitácio Pessoa, cheia de buracos,

E entregava-me nos braços de Tambaú.

Caminhava-te ao vento,

Deixando pra trás, ao relento,



Escrito por Ivaldo Gomes às 06h56
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As marcas dos passos

Dos caminhos feito em ti.

 

O mar ia e vinha, como vai e vem.

E eu ficava nas lagoas,

Feita a duas mãos, na areia do teu mar.

Mas como toda paixão é arrebatadora,

Nunca me satisfazia.

E te queria mais, muito mais.

E me debrucei nos teus bairros,

Nas tuas vielas, guetos, favelas.

Ai me deste a primeira dor.

Meus olhos que só olhavam a tua beleza,

Ficaram assustados com a pobreza,

Com a miséria e o desamor.

 

Arregacei as mangas e fui te ajudar.

Trabalhei vinte e quatro horas,

Esqueci de mim pra te enxergar.

Descobri tuas injustiças,

Fiquei com raiva de ti.

Debalde, sozinho, triste,

Pensei em te abandonar.

Mas já não podia.

Não dependia mais de mim.

Enxuguei as lágrimas,

Dobrei as tristezas,

Corri pro teu mar.

 

Afoguei-me no calor das tuas águas,

Vesti-me do verde do teu pomar.

Enrosquei-me nas tuas matas,

Do Amém à Buraquinho.

Corri apressado nas Mangabeiras e

Dei novamente no mar.

 

Nossa Senhora da Penha,

Nos abençoa.

Refugiei-me no balanço da rede,

Na casa do pescador.



Escrito por Ivaldo Gomes às 06h55
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Comi peixe assado, tomei cachaça,

Engoli a dor.

Desci pelo Seixas a pé, era de tarde,

De sol e de azul.

O Cabo Branco quebrado não

Tão branco como sonhei,

Com sua majestade vislumbrei.

E ele adentrava lá longe,

Mostrando-me o horizonte

Do oriente talvez.

 

E eu olhei, olhei e era como se

O mar me dissesse: Não tem volta,

Não voltarás.

 

Apressei o passo, fui dormir em Manaíra.

Saudei o sol da madrugada,

Apanhei as estrelas que pude,

E fugi pro Sanhauá.

Dos mangues, os caranguejos,

Das fábricas abandonadas,

Escuta-se o apito dos navios

Do porto daquele mar.

 

Subi a ladeira correndo,

Nas pontas dos pés.

No calçadão da Casa da Pólvora,

Vi os navios no mar.

Lembrei-me do cais do porto,

De Santa Catarina também.

Fiquei um tempão absorto

Pensando nas coisas de lá.

O corsário do rei se fez valente,

Armou-se tão de repente,

De canhões tão imponentes

Pensou que vinha pra ficar.

 

Mas tu Frederica, Felipéia,

Como toda moça donzela,

Debruçou-se na janela



Escrito por Ivaldo Gomes às 06h55
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E ficou a espiar.

Meus olhos marejados da fumaça,

Do lixo de todos nós,

A arder a céu aberto,

No baixo Rogger eu vi.

Eu vi aquelas criaturas, nuas,

Famintas, de gadanho na mão  

Disputar os restos da mesa farta

Que sacudiam acolá.

 

A dor explodiu de novo.

Trinquei os dentes, chorei.

Pensei nas tuas promessas,

Nas juras que já te fiz.

Fui chorar nas Trincheiras,

Olhando tudo infeliz.

Nas noites daquele quarto,

Entre livros, roupas e jornais.

Passavam os ônibus para Recife

E eu nunca estava lá.

E eles sempre voltavam.

Mas mesmo assim,

Nunca consegui te deixar.

 

Entrei por Jaguaribe, contornei o tempo,

Lavei as mágoas de ti.

Com o tempo fui percebendo,

O meu amor amadurecendo,

E eu como sempre querendo,

Você todinha pra mim.

 

Percebi-te Paraíba.

O olho puxou pra fora,

Meu Deus e agora?

Todos esses carros,

Engarrafou minha vida.

Fazendo tanta zoada, com gente

Correndo apressada, no vai e vem

Do teu pulsar.



Escrito por Ivaldo Gomes às 06h54
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Guardei-me dentro da Bica,

Procurei me aclamar.

Das pipocas sentia o sal,

Lembrei-me do teu mar.

Dos coqueiros a beira d’água,

Olhando o vento passar.

Da fonte de água pura,

Bebi com Tambiá.

 

Lá vêm as Muriçocas descendo

A ladeira do Clube Cabo Branco!!!!.

Eu vestido de palhaço, cercado na bagaceira.

É o frevo de Pernambuco,

Trazido dentro das veias,

Que me faz saltitar.

 

Lá vem o dragão da alegria,

Correndo entre os passistas,

- Sai da frente, sai menino,

Essa festa é dos artistas.

Só tá faltando Iemanjá sair esse

Ano de passista.

Quando chego em Tambaú,

Estico as pernas, ajeito o pente,

Tomo um gole de cachaça, pronto:

Cafuçu contente.

 

Vejo crianças nas ruas,

Abandonadas da gente,

As Muriçocas vão embora,

E às estrelas seguem elas.

Vou abraçar o sol,

Raiando tão imponente.

Que vai colorindo aos pouquinhos,

As curvas, as linhas, o presente.

 

Presente que se fez Felipéia,

Frederica, Paraíba também.

João Pessoa masculino,

Prefiro-te mulher,



Escrito por Ivaldo Gomes às 06h54
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Dom de todo amor.

Pois teu cheiro de mulher,

Está aqui sinto o odor.

 

Corri pros braço da noite,

Procurei mais que achei.

Gostei do sorriso daquela,

Do beijo dessa também.

Mais foi aquela acolá,

Que me tirou pra dançar,

E foi me apertando bem.

Fugi dos braços daquela,

Fiquei esperando o trem.

De tanto eu procurar,

Eu quase não acho ninguém.

 

De madrugada fui pro bar do Bento,

O Boiadeiro também.

Cantei até raiar o dia,

Ouvindo Elba Ramalho,

Zé Ramalho, amém.

Apareceu Braúlio Tavares,

Fernando Teixeira não vem.

E Bento toca o pandeiro,

E a felicidade que tem.

 

De ressaca apreço o passo.

Vou no encalço do pão.

A cara do patrão nunca

Me incomodou.

Eu só nunca entendi foi

A falta de condição.

Pois se gasta muito mais

Por não tê-las,

Com toda essa falta

De ação.

 

Fazê-las do modo mal feito,

É ter que fazer novamente. 

Paga o povo pelo erro,



Escrito por Ivaldo Gomes às 06h53
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Do político incompetente.

Tu Frederica me arranjas,

Problemas inconseqüentes.

Pois tu sabes que nem todos,

Te amam sinceramente.

 

Destroçam-te as matas,

O rio, o coração.

Levantam tantas torres,

Que impedem a visão.

Se continuar desse jeito,

Só te veremos de avião.

 

Tens cuidado, te proteges,

Do olho gordo da especulação.

Não acredites em promessas,

Que cheiram a ilusão.

Pois quem ama não destroi,

Ajuda tem devoção.

 

Vejam as obras de arte,

Guardadas no teu porão.

Muitas delas vão embora e

Vamos chorar em vão?

Depois do ocorrido não adianta

Fazer sermão.

 

Fica de olhos abertos,

Protege os filhos teus.

Não me deixes abandonado,

Agora por favor não.

 

Compro-te um peixe na feira,

Pescado em alto mar.

Dele faço o pão desse dia,

Agradeço de coração.

Pois do alimento nativo,

Vem à força da razão.

Teus pescadores tão pobres,

Trabalho duro, beberrão.



Escrito por Ivaldo Gomes às 06h51
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Devias olhar por eles,

Protegê-los então!

 

Devias ver muitas coisas,

Que fazem no teu chão.

Que mancham tua moldura.

A Juliano Moreira, o presídio,

A prisão.

Há tanta gente sofrendo,

Precisa do teu perdão.

Ajudar a quem precisa,

É antes de tudo no mundo,

Ter boa compreensão.

Pra que não exista em teu seio,

Nenhuma escravidão.



Escrito por Ivaldo Gomes às 06h51
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Canudos

 

 

                  Ivaldo Gomes

 

 

Canudos,

Não se rendeu.

Foi até o fim.

 

Conselho por

Conselho,

Até Conselheiro.

 

Canudos,

Nunca se

Rendeu.



Escrito por Ivaldo Gomes às 06h26
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Carmim

 

                   Ivaldo Gomes 

 

 

Boca de carmim,

Pra mim assim...

Cor do desejo,

Beijos na boca,

Louca, aflita.

 

Marca delineada

No rosto,

Oposto do gosto,

Gostoso de gostar

De você.

 

Carmim na cor

Do pecado.

Beijos molhados,

Amiúdes enfim.

Desejos insanos,

Ciganos perdido

No céu da tua boca.

 

Carmim vermelho,

Rubro incandescente.,

Carinhos crescentes,

Sons de festim.

Flor-de-liz, cheiro fugaz,

Vadiando nos carinhos

Teus.

 

Carmim em mim

Que nem tatuagem

Do beijo marcado

No meu rosto.

Pregado a

Lábios macios

Na minha boca.

 

Carmim,

No camarim

Da nossa alegria,

Do nosso afeto.

Beijo vermelho

No espelho da

Alma molhada

No cheiro do amor.

A impregnar-se

De nós.

                  

                                    



Escrito por Ivaldo Gomes às 06h22
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Caso você...

 

                  Ivaldo Gomes  (16/10/86)

 

 

Caso você pense em mim assim,

Só um pouquinho de vez em quando...

Caso você sinta falta de mim

Assim tão sozinha...

Caso você queira me ver assim,

Avisa, dá um toque...

Caso você não queira assim,

Queira de outro jeito...

Caso você se afaste assim,

Diga que eu lhe procuro...

Caso eu queira e você queira assim,

Juntos vai ser bom demais...

Caso eu queira e você não assim,

Não vai ter jeito...

Caso eu não queira e você queira assim,

Também vai ficar difícil...

Caso você tenha saudades assim,

Escreva, telefone...

Caso por acaso do acaso assim,

Continuaremos este caso e quem sabe

Até não caso com você...

Caso você ache que as coisas são complicadas assim,

Não se deixe levar pelo racional...

Bote o emocional em cima da mesa e se

Lambuse desse prazer da gente...

Caso você sinta frio de noite assim,

Chama-me pra te aquecer como quem senta

Perto da lareira e fica olhando o fogo...

Caso você sinta vontade de beber vodka assim,

Sem eu está por perto põe dose dupla e

Beba por mim. Beba-me junto...

Caso você adormeça assim,

Cantarei uma cantiga de ninar.

E velarei teu sono enquanto sonhas comigo...

Caso corras pela manhã assim,

Pelas ruas, nuas eu te acompanho com o

Vento batendo nos teus cabelos...

Caso a lua faça pensar na vida assim,

Chama para ver junto e namorar comigo...

Caso nós assim juntos,

‘Gostando, adorando, gritando’,

Como na música do Gonzaguinha,

Vamos viver essa vontade de estarmos e

Sermos felizes agora...

                   No amanhã pensamos depois.

Escrito por Ivaldo Gomes às 20h24
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Chá de bússola

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

 

Tome de vez

Em quando,

Pelo menos

Uma xícara.

 

Alguns acham,

Que três

Xícaras diárias

É o suficiente.

 

Eu ando tomando

Só uma xícara.

Mas a biruta

Da minha bússola

Perdeu o norte.

 

Por sorte,

Comprei outra.

E o norte me

Desaponta.

Na ponta

Do Cabo Branco.



Escrito por Ivaldo Gomes às 20h10
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Che Vive

 

Ivaldo Gomes

 

 

Utópico Comandante

De comovente exemplo.

Lutou por causas justas

Sonhou com a liberdade,

De todos os nós.

 

Ficou o exemplo,

A dedicação, a solidariedade.

Ficou o espírito de

Che Guevara

Em todos nós.



Escrito por Ivaldo Gomes às 20h07
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Chico Xavier

 

 

                                   Ivaldo Gomes

 

 

Que Deus lhe abençoe.

És um homem bom.

Necessário, imprescindível.

Exemplo de bondade,

Pros dias de hoje.

 

Sabemos que

Somos passageiros

Do tempo.

E todo tempo é tempo

De ajudar.

Continuemos.



Escrito por Ivaldo Gomes às 20h06
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Chora o dia

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

O dia cai como os aviões

Da Tam. Gol contra

A pingar na biqueira,

Da chuva que cai

Dos nossos olhos.

 

Olhamos o horizonte

E esperamos a chegada

Daqueles que não

Virão nunca mais.

Estacionados para sempre

Em nossa saudade.

Taxiados de nós.

 

E tudo isso poderia ser

Evitado.

Isso não é mais uma

Questão técnica.

Pois as pessoas,

Não são questões

Técnicas.

São gente como nós.

 

Meus dias

Ficaram assim:

Cinzentos, enfumaçados,

Enlameados por lágrimas

De pessoas que nunca vi.

Sinto-me desolado,

Com o desolamento dos outros.

Outros iguais a nós,

Com sonhos de vida.

Agora sem futuro.

 

Quando não mais será

Necessário escrever

Sobre isso?



Escrito por Ivaldo Gomes às 20h04
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Chove

 

 

                   Ivaldo Gomes

 

 

E cai lenta e

Escorregadia.

Molha tudo lá fora.

Democraticamente

Tudo molhado.

 

E continua a escorrer,

No vento, no cheiro

Da chuva que vem

De lá de fora.

 

Do alto.

De si.

Chove.



Escrito por Ivaldo Gomes às 19h57
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Chove lá fora

 

 

                   Ivaldo Gomes (02/04/87)

 

 

 

Chove lá fora torrencialmente.

Eu aqui parado e você lá embaixo

Dançando no Espaço.

E eu preso dos dois lados.

Aqui fora e lá dentro.

Eu sei que se sair agora

A chuva vai me molhar.

Eu não sei lá embaixo

Se você me olha.

É a eterna divisão das coisas.

Tenho sempre coisas

A me dividir.

Aprendi a viver assim.

Há dias de chuva e de sol.

De danças e de saudades.

Como a que bateu hoje.

Agorinha mesmo.

Eu espero mais falta paciência.

Pela chuva, pelo fim do ensaio.

E fico aqui plantado nessa

Escada fria.

A chuva não passa,

Nem o ensaio termina.

É minha sina.



Escrito por Ivaldo Gomes às 19h55
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Chuva

 

 

                    Ivaldo Gomes e Pié Farias


 


A calçada molhada
Os telhados molhados
E a alma lavada.

 

De alma lavada,

Na calçada molhada,

Andando na chuva.

Como águas claras
Explode nos olhos
A alma encantada.

 

E de encanto,

Em cada canto,

A chuva cai.

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 19h47
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                Chuva de atitudes

 

                                      

Ivaldo Gomes

 

 

                   Segue a fornalha do tempo quente,

No Nordeste de contrastes.

                   Seco de água e atitudes.

                   De onde brota a mesquinhez

                   Dessa gente?

                   Pois são Nordestinos

Como nós.

De que sêmen brotou

Esses egoístas?

De quê mesa farta se

Fizeram tão desumanos?

Pois sim, como chamá-los

De humanos?

Como ver a população com

Sede e com fome, e

Roubarem-lhes os impostos?

Como aceitar que famílias inteiras,

Morram a míngua?

Que políticos são esses?

De onde vieram?

Perguntas?

Perguntas?

Perguntas?

 

Mas neste instante centenas

De milhares passam sede.

Atravessaram o século

E pouco foi feito.

Este sofrimento poderia ter

Sido resolvido neste século.

Mas o egoísmo de nossa

Classe política.

Nos condenou.

Até quando?          



Escrito por Ivaldo Gomes às 19h44
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Cinema

 

 

                   Ivaldo Gomes

 

 

Passa na retina,

Focada na íris do tempo.

Descortina as imagens

Da utopia da gente

 

Move-se a cena,

O tema sou eu.

Nós a sois,

Nos lençóis.

 

Ai! De nós.

Nó cego,

Faca amolada.

Vídeo Tape.

 

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 19h38
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Cinzeiro

 

 

                        Ivaldo Gomes

 

 

Vou juntando as cinzas

De mim, de ti,

De nós.

Um pouco hoje,

Um pouco amanhã.

De cinza em

Cinzas.

Um pouco de mim,

De você, da gente.

Temos que esvaziar

Esse cinzeiro.

Isqueiro!

Alguém viu?



Escrito por Ivaldo Gomes às 19h36
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Ciúme

 

                   Ivaldo Gomes

 

 

É mal conselheiro.

Leva a desconfiança.

A vida vira um inferno.

 

Dante era aprendiz

De feiticeiro quando

Criou o inferno.

 

O ciúme é paixão cega,

Faca amolada.

Saudável?

 

Só se for leve

Cuidado.

Sempre.



Escrito por Ivaldo Gomes às 19h35
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Como recusar

 

 

                        Ivaldo Gomes

 

 

Como recusar o beijo

Que se persegue?

Como matar a paixão

Que se queima?

Como afastar o desejo

Da bem amada?

Como evitar a saudade

Que faz doer?

Como dizer não,

Quando se quer

Dizer sim?

 

Rota suicida essa.

Matar o que se quer.

Destruir o amor.

Afastar o inafastável.

Negar o inegável.

É cruel.

É fel.

É dor.



Escrito por Ivaldo Gomes às 19h30
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Como se fosse

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

Sabe aquela coisa

Que parece que é

Mas não é?

 

Sabe aquela coisa

Que parece que sabe

Mas não sabe?

 

Sabe aquela coisa

Que parece que tem

Mas não tem?

 

É como se fosse

Mas não é?

 

São os governos de hoje.

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 19h28
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Concórdia

 

                                 Ivaldo Gomes

 

 

Paz, não importa a guerra.

Paz, não importa os argumentos.

Paz, aceita a concordância.

Paz, implica em respeito.

Paz, convive com a diversidade.

Paz, dialoga para a harmonia.

Paz, não gera cadáveres.

Paz, não importa onde.

Paz, único caminho.

Paz, é possível.

Paz, se faz com paz.

Paz, gera paz.

Paz, em paz.

Paz.



Escrito por Ivaldo Gomes às 19h26
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Conhecimento

 

 

                    Ivaldo Gomes

 

 

Infinito do Universo.

Avesso a detalhes.

Exigente por

Si só.

Conhecer,

Duvidar,

Achar que

Pode ser diferente.

Inerente

Ao conhecer.

Sede de saber,

Aprender,

Apreender.

Usar para

Melhorar o mundo.

Conhecimento.

Semente do futuro.

Para todos.

Esse, o paradigma.



Escrito por Ivaldo Gomes às 19h21
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Consulta

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

Consulte

As cartas.

Todas elas.

De pôquer.

De pouco

A pouco,

Vamos todos

Perdendo de

Mão em mão.

Perdão.

A cigana

Me enganou.

Fez que leu

Minha mão.

E não leu.

 

Street flesh!

 

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 19h19
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Contradições

 

 

                   Ivaldo Gomes (18/02/87)

 

 

 

Mais uma vez pensando em ti e

Nas contradições dessa

Quase relação.

Pergunto por que desse

Meu gostar por ti?

Quando sei que você não

Gosta o suficientemente de mim.

Chega ser masoquismo meu?

Ou será que é a sensação

De rejeição que provoca

Todo esse interesse por você?

Será orgulho meu?

Será exigência minha,

De que todo mundo ‘deve’

Gostar de mim?

Será uma posição egoísta?

O quê será?

 

Uma coisa eu tenho certeza,

Não tenho conseguido tirar

Você de dentro de mim.

E fico até achando que

Mesmo sabendo de tudo isso,

Eu no fundo não estou

Querendo te esquecer.

Será que é esperança de que

Você vai mudar de opinião?

Que a gente vai enfim

Se entender um dia?

 

Não tenho tanta certeza disso.

Aliás, eu nunca tive

Certezas contigo.

Tudo ao teu redor é muito

Incerto, passageiro.

Só sei que quando estamos juntos,

Companheiros, é muito bom.

Como esquecer o teu cheiro,

Os teus cabelos perdidos

No meu rosto?

E a cabeça aninhada no meu

Peito, no meu corpo?

As pernas longas, os seios nus,

Olhando pra mim e o teu sexo

Gostoso de sentir, de morrer

De prazer, como?

Responde isso que

Eu prometo te esquecer.

 

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 19h14
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Cooperação

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

Cooperar...

Corrida...

Superação...

 

Pode ser cooperação.

Mas nem sempre é.

 

Competir é diferente

De subjugar.

Sábio o homem,

Mulher que se supera.

E pra isso

A cooperação é

O segredo.

 

Medo?

Temos todos nós.

A sós somos tão iguais.

 

Cooperar...

Superar...

Sobreviver.

 

Haver,

Saber.

Cooperar.



Escrito por Ivaldo Gomes às 19h06
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         Coração vagabundo

 

                                                                 

Ivaldo Gomes

 

 

         Coração sem conserto...

Vive de esperança e paixão.

Por mais que eu diga a ele.

Fique quieto!...

Fica não.

Acha que pode se apaixonar

Todos às vezes

Que lhe tocam a emoção.

Diz que sabe o que está fazendo,

Deixa-me assim sem razão.

Faz a maior confusão,

Troca o dia pela noite.

Sufoca-me de paixão.

Depois olha pra mim,

E ainda diz:

- Você estar sem razão.

E eu fico querendo compreender.

Descobrir porque você é assim.

Tem vezes que acho que você,

Faz troça de mim.

Pois sabe como eu sou frágil,

Devia ter cuidado.

Cuidar mais, enfim.

Mas você não tem coração.

Se tiver é sem razão.

Pois vive pulando em mim,

De paixão em paixão.

E eu que me vire com isso,

Com essa dor, essa emoção.

Eu que ache ungüentos,

Que sare minha paixão.

Vou lhe levar ao médico.

Pois sei que tem solução.

Mesmo que ele me diga:

- Esse ai... Tem jeito não.



Escrito por Ivaldo Gomes às 19h04
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Crepe Suzete

 

 

                            Ivaldo Gomes

 

 

De manhã logo cedo.

Assim que acordar.

Serve para o coração,

Á emoção, o tesão.

 

De tarde logo tarde,

Assim que baixar o sol.

Serve para solidão,

Ilusão, coisas do amor.

 

De noite no escuro.

Serve para relaxar,

Criar, procriar,

Achar e se perder

De prazer.

 

De qualquer hora,

Pode ser até agora.

Serve para sarar,

Sanar todos os desejos,

Beijos e abraços.

 

Crepe Suzete.

Crepe Suzete.



Escrito por Ivaldo Gomes às 19h01
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Cretino

 

Ivaldo Gomes

 

 

Você sabe

De todo meu

Amor por você...

 

Das minhas

Intenções

Sinceras...

 

Não caso

Agora por

Falta da festa...

 

Mas posso

Jantar

Com você...

 

No meu

Apartamento

Ou no seu?



Escrito por Ivaldo Gomes às 18h58
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Cuba Libre

 

 

                Ivaldo Gomes

 

 

 

De rum em rum

Fez-se Cuba.

De charutos fez

Havana.

 

De Cienfuegos,

Fidel, Che Guevara,

Faz-se livre.

 

Pobres! Somos nós.

Enxergamos coisas.

Faltam pessoas.

 

De sonho e sonhos,

Fazem-se as coisas.

Para pessoas.



Escrito por Ivaldo Gomes às 18h57
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Cultura inútil

 

 

                   Ivaldo Gomes

 

 

Fazer que dá

E não dá.

Dizer que faz

E não faz.

Concordar,

Discordando.

Separar pra

Juntar depois.

Discordar por

Discordar.

Prometer e

Não cumprir.

 

Tudo isso é

Cultura inútil.



Escrito por Ivaldo Gomes às 18h56
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Cumplicidade

 

 

                                   Ivaldo Gomes  (21/04/87)

 

 

Menina dos olhos de amêndoas,

De beijo doce, da boca de

Desejos mil.

Nossa indefinição tira a ação,

Apronta o golpe, desfecha a

Atitude que nunca tomamos.

É se sentir amante, sem

Nunca ter sido.

É sentir-se cúmplice, de

Coisas que nunca fizemos.

É ficar na vontade.

É ficar na contemplação.

Quando tomaremos a atitude de

Colocar o nosso afeto em dia?

Estamos esperando o quê?

Deixemos acontecer,

Rolar as coisas, as sensações,

À nossa vontade.

E quem sabe as dúvidas não

Desaparecerão?

E quem sabe a gente não

Se entende ou desentende.

Você entende?

Acho que entende...

Fica por perto e ainda desperto

Todas as vontades, todos os gestos

Que temos direito.



Escrito por Ivaldo Gomes às 18h54
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Custos

 

                  

Ivaldo Gomes 

 

O ético é o

Lucro honesto.

Honesto é deixar

Claro as coisas.

Isso é isso,

Aquilo é aquilo.

Custos menos despesa,

É que é o lucro.

E lucro,

Só é honesto,

Quando ético.

Impregnado de

Responsabilidade

Social.



Escrito por Ivaldo Gomes às 18h51
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Da boceta de Pandora

 

           

           

                       Ivaldo Gomes

 

 

Desta bolsa

De guardar segredos,

Surpresas brotam.

 

Podem surgir coisas...

Humanos, talvez.

Caixa registrada.

 

Da caixa de Pandora

Pode sair tudo.

Além.

 

Da boceta de Pandora

Pode sair nada.

Amém.

 

Dela ninguém escapa...

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 18h47
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Da chuva que cai agora

 

 

Ivaldo Gomes (06/07/1997)

 

 

 

Da chuva que cai agora,

Escorre no braço do tempo,

O tempo que o tempo dura.

Perdure a chuva o quanto dure.

Seja o tempo necessário para

Engravidar toda a terra,

Ao seu redor.

 

Na chuva que cai agora,

Vislumbro o inverno regando hoje,

As mangas que chuparei

No verão e verterei a doce água

Da chuva que cai agora...

 

Neste inverno de todos os anos,

Como ponteiro de relógio das eras.

Mostra-se o frio e faltam cobertores

Nas noites do nosso egoísmo.

E sinto frio duplamente.

Por mim e por aqueles que nem

Entendem porque sentem frio.

 

Enquanto chove agora,

Penso na atitude misericordiosa de

Estender a mão, ao irmão,

De sangue, do peito.  

Da bondade, da necessidade.

 

Da chuva que cai agora brota a

Esperança das flores da primavera,

Das frutas no verão e das

Folhas no outono.

Do chão molhado, encharcado,

Inundado muitas vezes,

Vai florescer o principio da vida.

Brotará nossa esperança em dias melhores.

Apesar dos pesares.



Escrito por Ivaldo Gomes às 18h46
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                Da dor

 

                               Ivaldo Gomes

 

 

                   Ela se faz presente,

                   Pressente a contração,

                   A fadiga.

                   E eu que o diga,

                   Baixinho.

                   Dói, dói.

                  

                   E ela me ensina a gemer,

                   A temer o espasmo,

                   O cansaço.

                   E eu suporto,

                   Calado,

                   Dói, dói.

 

                   E ela insiste em ficar,

                   E eu penso em ir embora.

                   A demora.

                   E eu me importo,

                   Impaciente,

                   Dói, dói.

 

                   E ela se ausenta de repente,

                   E eu penso que foi embora.

                   A angústia da dor vindoura..

                   E aguardo acordado,

                   Paciente,

                   Dói, dói.

                  

                   Há de cessar,

                   Algum dia.

Outro dia.

                   Dói, dói.



Escrito por Ivaldo Gomes às 18h34
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Da ignorância

 

                        Ivaldo Gomes

 

 

É a mãe de todos os males.

Pois deixa marca em todos.

Viver na ignorância,

É viver nas trevas.

Onde tudo é confuso.

 

Ela cega, aleija,

Mata para a vida.

Ignorância é atraso.

 

Só existe um remédio

Contra ignorância:

CONHECIMENTO.

 

Ai tudo faz sentido.

Se é que alguma coisa faz

Sentido nesse universo caótico

Em que vivemos.

 

Mas prefiro a informação.

A educação, a cultura.

O conhecimento serve para ter

Melhor qualidade de vida.

 

Sem conhecimento é tudo ignorância.

É voltarmos para a idade da pedra,

É retrocesso.

 

Sejamos leves.

Relevemos o passado.

Aprendamos com ele.

Elejamos o lado fraterno,

Amigo, solidário.

 

Pois a ignorância,

Elege o lado da dor,

Do egoísmo, da solidão.



Escrito por Ivaldo Gomes às 18h31
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Dançando no Espaço

 

 

 

                        Ivaldo Gomes (13/04/87)

 

 

 

Sigo teus passos

No compasso do

Meu coração,

Da música que

Inunda a sala

Cheia de espelhos.

Passos harmoniosos

E cheios de graça.

Corpo molhado

De suor, cheirando

A desejos.

Beijo o que vejo

E imagino o

Que não vejo.

Esse desejo na

Boca e os teus

Passos no espaço.

És a dona da

Festa, rainha

Da dança,

Cantando ritmado

Os movimentos

Alheios.

E eu leio nos

Teus olhos

O prazer de dançar.

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 18h24
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Daquele jeito

 

 

                   Ivaldo Gomes

 

 

E ela olhava

Pra mim

Daquele jeito.

 

E eu sem jeito

Mas gostando

Daquele jeito.

 

E foi assim

Que aconteceu

Daquele jeito.

 

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 18h21
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Das doenças

 

 

                            Ivaldo Gomes

 

 

Osvaldo, o Cruz,

Dizia: lave as

Mãos.

 

Quase tudo ficará

Limpo. 90%.

Desinfetado.

 

A limpeza,

É inimiga da

Doença.



Escrito por Ivaldo Gomes às 18h20
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Das tristezas

 

 

                                                        Ivaldo Gomes (30/05/1990)

 

 

 

Das tristezas, páginas inteiras.

Livros, filmes, peças, fotos, gravações,

Pinturas, desenhos. Recordações.

Uns dizem que são inerentes ao ser humano...

Outros discordam. Afirmam que são

Coisas que se contrai na vida.

Das minhas tristezas falo eu.

Nunca consigo defini-las bem.

Como que defini-las importassem em alguma coisa.

Sinto-as, invade-me, sufoca-me.

Fico amuado, pra baixo, com olhos tristes...

Sei das minhas tristezas pelos comentários

Que às vezes escuto.

Não sei disfarçar...

Mentir muito menos.

Tristeza tem sempre um ar melancólico,

De calmas, recolhimentos.

Tristeza é diferente de sofrimento.

O sofrimento pode ser parte de uma tristeza.

Mas tristeza não é sofrimento.

Está triste se aplica mais a mim em

Determinadas situações do que ser triste.

Já observei que no inverno fico mais triste

Que no outono.

Como no verão fico mais alegre que

 Na primavera.

Existem tristezas naturais, melancólicas.

Como também existem as tristezas sociais,

Fatais, provocadas, desencadeadas por

Outrem, por adversidades.

Falo da tristeza da alma, do espírito,

Da capacidade de se sentir triste.

Das tristezas de fins de tarde,

De fins de férias,

De amores, de paixões.

Falo das tristezas da solidão humana.

Dessa certeza da temporalidade das coisas.

Das tristezas alheias sei muito pouco.

Sinto-as e fico triste também.

Algumas coisas na vida e da vida,

São feitas só para sentir,

Nunca para pensar, entender.

As coisas são como são...

Por mais explicação ‘científica’ que se dê.

As tristezas continuarão apesar

Das minhas insatisfações.

Apesar de mim e sobre mim.

Um dia aprenderei a manejá-la,

Tal qual um barco.

Quem sabe!...



Escrito por Ivaldo Gomes às 18h18
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Davos/POA

 

 

                   Ivaldo Gomes

 

 

ALCA, G7,

Nafta, UE,

FMI, Bird,

Banco Mundial,

OPEP, UNESCO,

OEA, ONU.

 

Isso é Davos.

O dinheiro,

O poder material.

 

Mercosul, dívidas,

Pobreza, fome,

Miséria, sofrimento.

Não-alinhados,

Desalinhados.

 

Isso é POA.

Solidariedade,

O poder social.

 

POA se refere a Porto Alegre, capital do Rio Grande Sul, onde acontece o Fórum Social  Mundial.



Escrito por Ivaldo Gomes às 18h06
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De bloco em bloco

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

Vem me dá a mão.

Sai comigo por ai.

Por essas ruas centenárias,

No canto do povo,

Da gente daqui.

Olha essa fantasia coletiva.

Do sonho de sermos

Todos felizes.

Não importa a cor,

A profissão, a função.

Nem alto e nem baixo.

Não importa o escalão.

Somos festa hoje.

Felizes assim.



Escrito por Ivaldo Gomes às 18h01
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De gadanho na mão

 

 

 

                            Ivaldo Gomes

 

 

Deverias ir ver...

É chocante.

Degradante na condição

De humanos.

Não que seja trabalho.

Mas poderia ser feito

Por máquinas.

Homens o que somos...

Temos tecnologia.

Mas não nos livramos

Do colonizador.

Precisamos explorar

Para ser verdadeiros...

E de tanto explorar.

Perdemos o senso

De humanidade.

Pois só vemos nossos

Interesses muitas vezes

Mesquinhos...

Tenho tudo, logo,

Posso tudo...

E pode fazer a céu

Aberto, a dor do

Lixo no povo.

De gadanho na mão,

Esperando a cidadania.

Que nunca vem.

Perdida no meio do lixo,

Das sobras da gente.

Há horas que somos

Inconseqüentes.

 

Gadanho é uma ferramenta artesanal para vasculhar lixo. E é usado por homens, mulheres e crianças que ficam disputando os restos de comida com os urubus nos lixões da vida.



Escrito por Ivaldo Gomes às 17h44
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De Jurema

 

 

                      Ivaldo Gomes

 

 

Quando eu era

Pequeno em Jurema.

Corria pelas ruas

E os dias eram maiores.

 

Hoje caminho aqui

E por mais que ande,

Apresse o passo,

O dia termina primeiro.

 

Dos sabores dos ares

De Jurema da infância,

Flores, frutos, pomares.

E eu no mundo.

 

Da maresia daqui.

Do verde embriagador.

Do sonho sonhado

Pouco sobrou.



Escrito por Ivaldo Gomes às 17h39
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De olho no olho

 

 

                                   Ivaldo Gomes

 

 

O olho olha o olhar,

Dilata a pupila, o desejo.

Beijo o que vejo,

Imagino o que não vejo.

 

O olhar do seu olho,

Distrai a pupila, o sentimento.

Beija-me assim o ensejo.

Finjo que não vejo.

 

Olha assim tão diamante,

Distante e tão perto de mim.

Fico querendo esse beijo

Que seu olho dá em mim.

 

Olha meu olhar e vê.

Percebes os desejos enfim.

Ficamos olha, não olha.

Desconfiados assim.



Escrito por Ivaldo Gomes às 17h37
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De olhos abertos

 

 

                            Ivaldo Gomes

 

 

O olho que vê o invisível.

O indivisível divide.

Separa em si os

Lados. Lábios de mel.

 

E sinto o sabor dos beijos,

Vejo e não vejo.

Só sinto. Percebo

Beijo o mel.

 

E deito-me no chão

De estrelas e viajo,

Olhando de olhos

Abertos, percebo.

A paisagem em si.

 

E de estrelas cadentes,

Sementes de sonhos

E brilhos. Piscam em

Meus pensamentos.

Pulsares de ti.

 

E mesmo se assim fosse,

Vendo-te, me enxergo.

De olhos abertos,

Espertos, sonhos?

Não sei.

 

Só sei que vejo, revejo,

Sinto e pressinto.

Você a passear nos

Meus desejos.

Já sei.

 

É você chegando.

Escrito por Ivaldo Gomes às 13h39
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De olhos lácios

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

De olhos lácios

Vejo o dia.

E procuro,

No escuro

Das sombras

A moldura do

Teu corpo.

As lágrimas,

Teimam em cair.

E me embaça

A visão.

Aperta-me

O peito.

E eu de respeito,

Tranco-me no leito,

Dos meus sonhos

Por ti.

De olhos fechados,

Calcinados da

Falta de ti.

Encosto-me,

No dorso,

Da porta,

Aberta pra ti.

E olho longe.

Abismado,

A sombra que

Passa por mim.

Fecho os olhos,

E você refletida,

Nas retinas,

Em mim.



Escrito por Ivaldo Gomes às 13h36
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De pijama nas estrelas

 

                       

                                   Ivaldo Gomes

 

 

E tu pisavas nas estrelas distraída,

Sem saber que o céu do meu bem

Querer se aprontava todo pra ti.

E a lua que incentiva as paixões,

Fez-se tão bela naquela noite,

Que mesmo os cometas que passavam,

Passavam despercebidos.

E eu roubei os anéis de Saturno,

E os coloquei em seus dedos,

Para deixar claro o meu amor.

E Netuno se fez frio,

De ciúmes de ti.

Indiferente ficou Plutão,

Ao meu sofrimento,

As minhas saudades.

E Marte aquecendo o

Meu coração tocou fogo

Na razão.

E Júpiter armou o cenário,

Na Terra e quis que eu

Ficasse distante, além mar.

Pois assim, dentro do seu pijama,

Ama-me, guarda-me pra si.

E esse é outro Universo,

Mesmo com todos os versos,

Não saberia descrever.

Nesse pijama universal,

De estrelas, astros e sois.

A sós nos aqueceria nos lençóis,

De flanela e o pijama estelar,

Jogado em um canto qualquer,

Espera... Espera.

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 13h34
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De quando em quando

 

 

                                      Ivaldo Gomes

 

 

 

De quando os nossos braços

Encontram-se e de abraços

Os laços se estreitam.

Beijos os beijos que

Te dou e recebo.

E de quando em vez,

Entre orgasmos, gemidos,

E soluços.

Fico mudo, calado,

Extasiado em ti.

Nos rápidos segundos do mergulho

No nirvana onírico da gente.

Fico sem palavras pra explicar,

O inexplicável sentir.

E de quando em quando,

Eu vou vivendo,

Às vezes quase morrendo,

De amor por ti.

De quando as coisas

Começam, às vezes,

Quase sem ter fim.

Pois nascem os sóis

E se põem e o nosso

Amor fica assim.

E fico a imaginar a hora,

Que poderei te reencontrar.

Passam-se as horas, o tempo,

E eu anseio te encontrar.

De quando em vez,

De quando em quando.

Até quando será?

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 13h31
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De saco cheio

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

De ver a mentira se

Impondo como verdade.

De ver os discursos

Jogados ao nada.

De ver a desfaçatez

Na tez do impostor.

De pagar tanto imposto

Para tão pouco.

De ficar esperando

Um amanhã que não chega.

De ficar aguardando a

Tão guardada utopia.

De ficar pensando

Que poderia ser diferente.

 

Mudemos os gerentes.



Escrito por Ivaldo Gomes às 13h27
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De só impossível

                                                          

 

 

                            Ivaldo Gomes (07/01/88)

 

 

 

Um poema de uma página só,

Talvez não seja solitário.

A emoção de fazê-lo já

Não o deixa só.

A solidão não se dá só

Pela ausência,

Falta ou perda,

Mas principalmente pelo

Estado de se sentir só.

Um poema só e somente,

É tão presente quanto o

Ato de fazê-lo.

O ato de criar é um momento

De bastante multidão, cores,

Coisas, palavras e signos.

O só não existe,

Está sempre acompanhado de algo.

O sol talvez seja só,

Para alguns olhos desavisados,

Pois brilha ao mesmo tempo

Para milhões de coisas, o que o torna

Mais coletivo do que nunca.

O só somente não existe,

Mesmo num poema de uma página só.

Como não é só minha emoção,

Meu coração.

Mais e muito mais ilusão.

Miragem essa minha inspiração.



Escrito por Ivaldo Gomes às 13h26
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De sol e de lua

 

 

                                 Ivaldo Gomes

 

 

O sol descia em meus pensamentos

E se encontrava com a linha do horizonte.

Ali, bem enfrente, na minha fronte.

 

E os olhos marejados de lágrimas,

Via o rio se despejando em água.

Gosto de sal no céu da boca.

 

E quando o sol, enfim se pôs.

Fiquei vendo a aurora que se findava.

Enquanto bebia a saudade em últimos raios de sol.

 

E quando achava que anoitecia a minha vida.

A lua saia de trás dos montes,

Como fonte de todos os meus desejos.

 

E ai pego a pensar nos beijos,

Dos desejos, dos afagos, que sempre quis.

E por um triz achei que teria naquela hora.

 

E ela se levantou tão bela.

E se fez tão reluzente que finalmente,

Eu me acalmei.

 

Recolhi os meus sonhos, 

Como os pescadores as redes.

E estavas tu dentro deles.

 

E hoje de sol e lua vivo eu.

As estrelas são só um diadema,

Que o meu amor enfeita pra ti.

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 13h21
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De sorrisos e Carlitos

 

 

 

                                     Ivaldo Gomes (17/08/89)

 

 

 

Sorrir, sorrir sempre,

Sempre sorrir...

Pois de tanto te verem

Sorrir, pensarão que

És faliz...

E mesmo esse pequeno fio

De emoção. Essa tênue

Esperança da felicidade alheia

Despertará em ti a emoção

Da possibilidade de

Ser feliz...

Rir é o melhor remédio...

Remedia as tristezas e as

Faltas de não sorrir.

É preferível se iludir com

Pequenas felicidades aqui e ali,

Do que ter a certeza cruel

Da sua não existência...

Sorria... Sorria...

Temos motivos pra tanto riso...

Levanta os olhos e olha pro alto.

Pro infinito e verás

Que tem motivos de sobra

Pra ser feliz...

Sorria... Sorria...

Carlitos inunda os

Pensamentos e

Pego-me sorrindo.

Sorria... Sorria...



Escrito por Ivaldo Gomes às 13h18
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De vento em polpa

 

                                              

                                                           Ivaldo Gomes

 

 

         Sopra o vento ao norte de mim,

Causando redemoinhos no meu coração.

E eu me agarro nas cordas da razão,

Mesmo sabendo que serei arrastado,

Puxado por essa paixão.

 

As tormentas passam ao largo de mim,

Arrancando-me a terra dos pés.

E num esforço sobre humano,

Agarro-me a ti como naufrago,

Buscando um cais, um porto.

 

E uiva a tempestade célere,

Que sacode o barco, coração.

E os tufões me açoitam e batem,

Só não desvanece essa paixão.

 

E jogo-me nos teus braços,

E nos teus abraços há calmaria.

Beijo os beijos dos amantes,

E durmo até meio dia.

 

A tempestade continua.

Lá fora. Aqui dentro,

No meu peito

É só alegria.



Escrito por Ivaldo Gomes às 13h16
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Debaixo do Pé de Uva

 

                                     

                                      Ivaldo Gomes

 

 

Eu já lhe disse uma vez.

Vou lhe pregar uma peça.

Penduro cachos de uva,

Desses de plástico em você.

 

Quem sabe você se toca.

Onde já se viu disso.

Uma parreira sem uva.

Doze anos e nada.

 

Não posso me queixar da sombra,

Do seu caramanchão.

Dias agradáveis,

Dias bons.

 

Resolvi esperar pelas uvas,

Você vive 400 anos.

Vou esperar por você.

Mas cuidado com as uvas.

 

De plástico!



Escrito por Ivaldo Gomes às 13h14
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Dela

 

 

                       Ivaldo Gomes

 

 

Dela você sempre sabe.

É ela que está com você.

É dela aquele corpo.

 

Quente como o dela.

Perto do seu.

É dela o apogeu.

 

O fogo é ela.

Dela vem o prazer.

Somente ela.

 

O prazer é dela.

A ela toda

Mulher.



Escrito por Ivaldo Gomes às 13h12
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Dengo

 

 

                   Ivaldo Gomes

 

 

Escorrega a mão,

Coça a cabeça.

Cafuné, dormir.

Relaxar em você.

 

Passar as mãos,

Por você,

Por mim,

Assim gostoso.

 

Dengosa fica,

Com preguiça.

Espicha-se,

Em cima de mim.



Escrito por Ivaldo Gomes às 13h10
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Desejos

                           

                            Ivaldo Gomes

 

 

De tanto desejos

Desejei...

Que foge a mim

O discernimento...

Neste momento só sinto,

Só sou.

Que se dane as

Convenções...

As boas e más

Intenções.

Que brote em

Mim os desejos.

E os beijos

Que sejam dados,

Roubados,

De ti.

E o fogo tome

Conta de nós.

E os nós sejam

Atados, apertados,

Nos desejos,

Nos beijos,

De nós dois.

E seja,

Enfim.

Os desejos

Saciados.

Pois o que

Tenho de melhor

Hoje são os desejos,

Que sinto, que me

Permito ter.

 

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 13h10
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Desejos Virtuais

 

 

 

                                               Ivaldo Gomes

 

                                                                          

Infinita conexão astral,

Que passeia pelos cabos axiais,

Causando torrentes de desejos,

Beijos e vertigens virtuais.

Vitais, enfim.

 

Ah! Que peça prega-me os dias,

Que atormenta-me as noites,

Onde os seus beijos invadem

A minha vida como uma torrente,

Enchente em mim.

 

Que faço eu agarrado a esse teclado,

Sonhando os sonhos dos desejos,

Perdidos em seus beijos,

Embriagados por ti.

 

Embalde, perdido, fico como

Quem procura um porto,

Teu colo, teus abraços,

Murmúrios no fim.

 

Que faço eu com esses desejos,

Talhados, esquartejados,

Quebrados assim.

 

Recolho a minha saudade,

Embriago-me, afogo-me,

De gin.                                                                                                                                

Escrito por Ivaldo Gomes às 13h08
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Desempregado

 

 

                          Ivaldo Gomes

 

 

Fico imaginando um

Pai de família,

Desempregado nos

Dias de hoje...

 

Os jovens não possui

Experiência...

Os mais velhos,

“envelheceram”.

 

Ficam todos,

A disposição do

Imponderável.

Da marginalidade.

 

Os nossos filhos

Não passarão fome.

Nem que tenhamos

Que enlouquecer.

 

Os atos tresloucados,

Acontecem assim:

Primeiro se exclui,

Depois se marginaliza.

 

No final sobra,

Desgraça para todos.

Não contemporizar,

Afiar a faca. 



Escrito por Ivaldo Gomes às 13h06
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Desesperado

 

 

                   Ivaldo Gomes

 

 

O peito dói,

A respiração ofegante.

Não se acha canto,

Tudo incomoda.

O dia começa amarelo,

Fica chumbo,

Vai chover.

Você olha pela janela,

Na rua gente passa

A correr.

Sobe e desce,

Cai à noite,

As estrelas apagadas,

A lua nem saiu.

Parece tudo terminado.

Angústia por todo lado.

Desesperadamente

Só.



Escrito por Ivaldo Gomes às 13h04
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Deu-me asas

 

 

                            Ivaldo Gomes

 

 

Deus sabe o que faz.

Deu asas aos pássaros

E lápis aos homens.

 

Deu luz a primavera.

Fez-se quarto minguante.

Nos deu imaginação.

 

Deus as ações, as bolsas,

E o ladrão.

Faltou imaginação?!

 

Não!

Deu-me asas.

O céu é o limite.



Escrito por Ivaldo Gomes às 13h03
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Deus

 

Ivaldo Gomes

 

 

De Deus

Sei muito pouco.

Tão pouco

Que Deus tem

Piedade de mim.

Deixa-me consciente

Para percebê-lo

Em tudo.

Ou tudo é Deus,

Ou Deus é nada.

E nada repousa

Em Deus.

Logo, Deus é

Tudo e nada.

E a gente no meio.

 

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 13h01
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Dia Triste

 

 

                            Ivaldo Gomes

 

 

 

...Depois a gente se fala...

...Preciso ir...

...O chefe chegou...

...Jantar às 22 h...

...Lugar de sempre...

...Dá pra trazer um sanduíche...

...Você já viu o dia?...

...Por favor, doutor fulano...

...Aguardo você chegar...

...Já estou atrasado...

...Bom dia...

...Elevadores vazios essa hora...

...Ela é linda...

...Belas flores essas de hoje...

...Você vai sair mais tarde?...

...Vou dá uma volta...

...Estou trabalhando, agora não!...

...Onde tem lápis grafite?...

...Ele é novato aqui?...

...Tomemos um café...

...Negócio fechado...

... A bolsa subiu...

...Compro o carro esse mês...

...Viajo quinta a Paris...

...Eu chego sexta de Roma...

...Quem sabe!...

...Será que o tintureiro vem?...

...Quanto custa esse terno?...

...Aquele quadro é lindo...

...Daqui da pra ver tudo...

...Olha a estátua lá embaixo...

...Que barulho foi esse?

 

 

A vida pede respeito.

A despeito de qualquer coisa.

A violência nos leva a barbárie.

Precisamos nos humanizar mais.

Chega de intolerância.

Parta de onde partir.

Respeitemo-nos,

Mutuamente.

Ajudemo-nos,

Permanentemente.

A ideologia somos nós.

O que nos afasta,

É nossa dose de egoísmo.

Pegamos mais que precisamos.

Daí a injustiça.

Estamos errados agindo assim.

Não temos o direito de humilhar,

Maltratar, causar dor.

Que a natureza divina

Nos perdoe.

 

 

Esse 11 de setembro,

Poderia ter sido diferente.

As pessoas que ali estavam,

Tinha o direito a vida.

Não poderia ter sido retiradas

Daquele jeito.

 

Morremos todos um pouco.



Escrito por Ivaldo Gomes às 12h58
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Dias melhores

 

 

                           Ivaldo Gomes

 

 

 

Quando os olhos almejam o dia.

E vejo vocês assim.

Fico feliz por estarmos vivos.

Mas fico triste por essas vidas vividas

De sonhos não tão coerentes assim.

 

Mas o que seria da coerência,

Sem a carência do corpo?

Corpo que quer, que deseja,

Almeja dias melhores.

 

Pra mim?

Pra todos?

Pra alguns?

Eis a questão!

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 12h53
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Disfarça

 

 

                            Ivaldo Gomes

 

 

 

Quando olhares pra mim,

Disfarça...

Faz e não faça.

Disfarça...

Faz-de-conta,

Desconta as mentiras.

E não disfarça.

Diga com graça,

Mas diga.

Fadiga,

Figa,

Faca,

Fagote.

Disfarça...

Eu acho graça,

Você ri.

Sorria.

Disfarça...



Escrito por Ivaldo Gomes às 12h51
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Disfarce

 

 

                   Ivaldo Gomes

 

 

Hei você!

Que se esconde.

Que faz que não me ver.

Pensa que eu não sinto,

O seu coração disparar.

Basta me ver.

As mãos ficam molhadas,

O corpo esquenta,

O clima aumenta,

Sob o tesão.

E você me olha,

Devora-me.

Mas nunca deixa,

Não encosta,

Fica de costas

Para não ver.

Disfarça.



Escrito por Ivaldo Gomes às 12h50
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Dispensado

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

Quando dispenso o coletivo

Desmonto o quebra-cabeça.

Retiro as peças,

Faço opções.

 

O problema é que

As peças se desgastam.

Nunca mais se remontam,

Do mesmo jeito.

 

Novo quebra-cabeça.

Novo grupo.

Novas regras.

 

Nada garante

Que tudo dê certo.

Que vire coletivo.

 

Tudo e nada.

Pode e não pode

Acontecer.



Escrito por Ivaldo Gomes às 12h48
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Distante de Deus

 

                       

Ivaldo Gomes

 

 

No adeus...

Deus sou eu...

Por ficar só.

 

Só Deus,

Poderia ficar comigo.

Mesmo distante.

 

Distante de Deus.

Por um instante,

É solidão.

 

Distante de Deus.

É só saudade.

 

É faísca de volta

A fogueira.



Escrito por Ivaldo Gomes às 12h45
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Distantes distritos

 

 

                            Ivaldo Gomes

 

 

 

E te persigo estrada a fora.

De encruzilhada em

Encruzilhada, fico

Atônito, tonto

Tenso, de procurar

As placas.

 

Indica nada

Com nada.

Não diz onde está,

E nem pra onde vai.

É um adivinhar de

Ausência de placas.

E o pior, em curvas.

 

Poderia ser presente,

Indicando claramente

Onde fica o distrito

Melhor coisa da vida

É voltar pra casa.

Ai o distrito é perto.

 

Mas cadê as placas?



Escrito por Ivaldo Gomes às 12h44
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Dito e desdito

 

 

                      Ivaldo Gomes

 

 

Fica o dito pelo não dito.

Assim dito, dizer mais o quê.

 

Diga que foi dito e desdito.

Diga que o quê foi dito,

Não deveria mais foi dito.

 

Diga que o desdito estava dito.

E tenho dito!

 

Mesmo o dito e desdito.

Depois soará como foi dito.

Mas o que foi dito?

 

Foi o que foi desdito.

Não aceito o argumento.

 

Dito está dito.

Pois dito, está desdito,

E pronto.

 

Dito assim parece pirraça.

E é pirraça e dito e feito.

 

Porém bem feito e dito.

Como devia ter sido.

Dito e desdito também.

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 12h41
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Dividir

 

 

                       Ivaldo Gomes

 

 

Capitalista não sabe

Conjugar o verbo

Dividir.

 

No intransitivo,

Direto,

Ao ponto.

 

Por quê ter cem

Sapatos?

 

Se só temos

Dois pés?

 

É insignificante.

Acredite.

 

É digno.

Dividir.



Escrito por Ivaldo Gomes às 12h36
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Do circo armado em mim

 

 

Ivaldo Gomes (16/07/1997)

 

 

 

Agora como se o Universo não

Fosse helicoildalmente redondo.

Como a magia do riso, do palhaço,

De todos que compõe o circo,

O circo da vida, sem cama

Elástica e sem botequim.

Mas me interessa as gargalhadas

Da platéia irreverente do palhaço

Que contagia o mundo,

Sonha e faz sonhar, na

Simplicidade do riso.

 

Do circo que pode ser,

A possibilidade de se poder fazer

Acontecer coisas, movimento,

Surgimento, aparecimento,

Apresentação, de se expor

No picadeiro da vida.

 

Do circo armado emocionalmente,

Do presente do concreto perfeito,

Contanto que seja feito.

Se o circo está armado,

Armado está à possibilidade

De se encher os picadeiros,

Cadeiras imortais dos tempos.

 

Do circo que eu vejo aos olhos,

Seus olhos, belos, singelos,

A olhar os meus segredos,

Preso nessas linhas de rabiscos,

Sobre o circo que

Se armou em mim.

 

Segue e ajuda na interiorização

Do resgate das nossas

Tradições planetárias.

O circo circula no meio de nós,

Tão velhos quanto os nossos avós.

Circulam e sobrevivem,

Apesar da dificuldade de ser

Nômade na vida.

Do círculo, do circo que está

Armado dentro de cada

Um de nós.

 

Da lembrança do mundo fantástico

Da representação artística.

Do suspiro ao rugido do leão,

A bailarina no trapézio de

Ponta cabeça, no circo

Armado em mim.

Dos circos do Universo,

O que eu conheço é aqui.

 

                                                



Escrito por Ivaldo Gomes às 12h27
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Doces ardis

 

 

                   Ivaldo Gomes

 

 

Essa moça que

você seduz.

Traduz em si,

essa luz azul,

cor de anil.

Ardil, vinil,

infantil.

Essa moça que

você deduz.

Reluz em si

essa desfaçatez,

na tez, na pele,

que repele essa

solidão.

Essa moça que

você produz,

Fabrica sonhos

na sua cabeça.

Doces de mel

na boca, no

céu da boca.

Essa moça que

não tira o capuz,

não deixa você

chegar perto.

É um ardil.

Um doce ardil.



Escrito por Ivaldo Gomes às 12h19
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Dos Poderes

 

 

                        Ivaldo Gomes

 

 

 

Legislando em causa própria.

Aprova os interesses do grupo.

Deixa quase sempre o povo de fora.

Mas sempre lhes cobra a conta.

 

Executa o interesse do grupo.

Arrecada o imposto e gasta.

Transparência não é o forte.

Propaganda é a saída.

 

Julga tudo e deixa estar.

Em seus palácios confortáveis.

Vivem tão intocáveis.

Que o povo não consegue olhar.

 

Precisamos disso?

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 12h16
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Droga

 

                    Ivaldo Gomes

 

 

Como dizia Yoko Ono:

‘Droga é o segundo copo

D`água quando o primeiro

Já matou a sede’.

 

E quem vai nos livrar da

Droga do governo?

Que insiste em nos

Tratar como dementes?

 

Droga é tudo aquilo

Que você não pode

Viver sem ela.

A lista é grande.

 

Pense bem.

Positivamente bem.

Ai, tudo vai bem.

Pois termina bem.



Escrito por Ivaldo Gomes às 12h14
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                                   Dúvidas

 

 

                                                              Ivaldo Gomes (10/10/87)

 

 

                            Um fio de ternura corre

Entre os meus dedos.

Desejos? Talvez...

Essa cidade assim,

Fim de tarde, sol

Poente, pungente

A se esconder.

Eu escorro pela vida,

Tão confusa, difusa,

Cortina de fumaça,

Embaça os meus

Pensamentos e eu

Vejo pouco nessa

Neblina, fina,

Quase nevoeiro

Dentro de mim.

Por quê que eu

Sou assim?

Triste?

Talvez...



Escrito por Ivaldo Gomes às 12h13
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É tão bom

 

 

                            Ivaldo Gomes

 

 

 

Poça de chuva na calçada,

Preguiça ao amanhecer,

Cafuné de mulher amada,

Doce de leite na colher,

Suco de pitanga bem gelado,

Vento soprando nos cabelos,

Rosa roubada do jardim,

Meninos correndo à toa,

Rede armada na varanda,

Notícia boa chegada,

Contas pagas em dia,

Dispensa cheia de vida,

Silêncio na noite estrelada,

Lua cheia apaixonada,

Perfume de flor na janela,

A vida valendo a pena,

É tão bom.



Escrito por Ivaldo Gomes às 12h09
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Ébano

 

 

                Ivaldo Gomes

 

 

Morena,

Escorrega a beleza,

A lindeza dessa mulher.

De olhos negros,

Profundos em desejos,

Beijos e solidão.

 

Morena,

Que reluz quando passa,

Que o mundo acha graça,

Da graça de ver

Ela passar.

 

Morena,

Tens pena

De mim.



Escrito por Ivaldo Gomes às 12h07
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Educação Popular

 

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

Você sabe que sabe,

Mas acha que o seu

Saber vale menos

Que outros saberes.

 

Os saberes aqui também

Possuem os defeitos de classe.

E sem classe, classifica,

Os saberes reconhecidos.

 

Mas nós sabemos que sabemos.

Habemus conhecimento!

Então tudo é troca e conforto.

É divisão, comunhão de saberes.

 

Toda educação vale a pena,

Quando a aula não é pequena.

E o salário ridículo.

A sala de aula é o universo.

 

E mesmo em versos,

A educação popular,

Vive em cada um de nós.

E como nós amarrados.

 

Eu aprendo e ensino.

Volto a apreender para continuar

Ensinando, cotidianamente.

Professar é mais que dá aula.

 

Você sabe que sabe.

Mas acredita em tudo.

Deixa pensar por você.

Perde a certeza da dúvida.

 

Todas sabem que sabem.

Mas alguns sabem mais.

Bem mais que outros.

Só estudaram mais.

 

Mas sabemos que conhecimento

E passarinho não se prende.

Distribui-se de bom grado,

E propósitos elevados.

 

Se todos sabem disso.

Temos que exercitar

No dia a dia de todos.

Educadamente.

 

Educação Popular.

 

 

____________________________

Pra Paulo Freire



Escrito por Ivaldo Gomes às 12h07
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Ego de balão

 

 

                        Ivaldo Gomes

 

 

Subserviência mata.

Baigon também.

Hipocrisia nata.

 

Só não mata,

A Mata do Buraquinho.

Xaviermente de pé.

 

Podem dilapidar o patrimônio.

Nossos hormônios se

Contorcerão.

 

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 12h04
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Elegendo

 

 

Ivaldo Gomes

 

 

 

Eleja você nesse ano,

Eleitoral.

Seja você, faça você.

Não espere ajuda.

Ajude e se ajude.

Pois essa é a

Realidade.

Nua e crua.

Só temos contas

A pagar.

Devemos mais do que

Ganhamos.

Sempre alguém,

Representações,

Aparecem com faturas.

E como faturam!

 

Dai que: eleja-se!

Em vez de eleger alguém,

Pois esse alguém

É sempre outro.

Que não é você.

Eleja você.

Você é a prioridade.

Você e todos os

Outros ao seu lado.

Eleja você em 2008.

Em 3008. 4008...

Você e tudo

Que lhe circunda.

Preserve, cuide.

Tenha cuidado.

A responsabilidade é

Com TODOS.

Mesmo que eu não

Goste daquele toldo

Ali na frente.

 

Humanos,

É o que somos.



Escrito por Ivaldo Gomes às 12h02
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Em cena

 

 

                  Ivaldo Gomes

 

 

 

Abre o pano, o plano,

O olho vê.

E vendo se enxerga.

E se enxergando

Se entende.

 

E segue a cena...

 

Em cena, eu  e você.

Texto decorado, na ponta

Das línguas.

Todas. Faladas,

Mortas, semi-morta,

Que importa!

 

O palco se ilumina.

Quando você entra.

E diz: Senhoras...

Senhores...

O que fazes aqui não sei.

 

Eu tenho um plano.

Entro eu interrompendo...

Ei! A peça já começou.

Sua tonta!

E você é a mocinha,

Que eu vou ter que salvar.

Claro que eu vou me aproveitar.

 

E foram felizes

Para sempre.

 



Escrito por Ivaldo Gomes às 12h00
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